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Jornalista, casada e amante das palavras. A pernambucana mais brasiliense de todas.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Histórias made in China


A viagem à China foi reveladora em todos os sentidos. Pela primeira vez, adiantei 11 horas do meu relógio. Literalmente viajei no tempo, como que de volta para o futuro. Um futuro que eu acreditava estar tão distante, e estava. 22 horas de vôo, 30 horas de viagem no total. Eis o primeiro desafio a vencer. Às 6h30 da manhã de sábado chegamos a Beijing. Ideogramas por todos os lados queriam me dizer alguma coisa. Queriam me alertar que eu estava do outro lado do mundo. Que meu alfabeto era insuficiente para compreender esse universo infinito da escrita chinesa. E eu, respeitosamente, tive que abdicar do meu caso antigo com as palavras para viver uma aventura de novos significados. Estar na China para mim significava mais que uma experiência inédita, uma oportunidade para a vida e para a carreira.



Dia 1

No primeiro dia, não vi o céu da cidade. A poluição e a areia vinda da Mongólia se encarregaram de encobri-lo. Mas por trás da névoa, era possível visualizar uma metrópole gigante. Avenidas gigantes, prédios gigantes, engarrafamento e por aí vai. Tudo muito limpo e moderno. No trânsito, carros, bicicletas e gente se entendiam em meio às buzinas. O prédio da CCTV, a TV estatal chinesa, foi o que mais me chamou atenção neste primeiro momento, pela arquitetura ousada. Uma hora até o hotel. Lá nos acomodamos e fomos fazer um reconhecimento da área. O cansaço era grande, mas nada de dormir, pois a equipe precisava se adaptar ao fuso horário. Vale ressaltar que todos os dias em Pequim fomos assessorados pela nossa intérprete Vitória, uma chinesa de 21 anos muito querida, que estuda português na faculdade e vai trabalhar no Brasil por 4 anos a partir de 2012. Fofa é uma das palavras que a definem, além de muito prestativa, eficiente e simpática. Neste dia aproveitei para conhecer logo a Cidade Proibida. Morta de sono, só andei até o pavilhão do palácio principal do imperador, onde ele vivia com as 3 mil concubinas... Saí de lá quase guinchada pela Vitória. Nem consegui atravessar a rua para a praça da paz celestial, aquela onde ocorreu o massacre em 1989. Para almoçar, restaurante brasileiro. Nada melhor para enganar o coração, que começava a manifestar os primeiros sintomas de saudade. Mas ainda havia muito chão pela frente. Muito mesmo. Até 19 horas de trabalho por dia com direito, muitas vezes, a apenas uma refeição. Só 3 ou 4 horas de sono e muitos deslocamentos. Afinal, foram 4 cidades, de norte a sul da China. Isso tudo repleto de dezenas de acordos bilaterais, anúncios de investimentos bilionários de multinacionais, discursos e mais discursos, em russo, chinês, inglês e porque não, o português da presidenta. Tudo devidamente registrado em offs para TV e rádio e passagens gravadas com ajuda de muita maquiagem para disfarçar as olheiras. Esta viagem me fez ver como minha saúde estava em dia, senão talvez não agüentaria este batente. Mas tenho certeza de que Deus me sustentou em todos os momentos, que conto um pouco a seguir.

Prédio da CCTV ao fundo. Quem dera que a EBC fosse assim...

Flashes da Cidade Proibida

Flashes de Pequim
Dia 2

Neste dia dei outro giro pela cidade e descobri, mais descansada, algumas manias chinesas. Pigarrear, escarrar e cospir no chão é uma delas. Não que os homens no Brasil também não façam isso, mas lá é demais. O próprio taxista limpava a garganta toda hora e cospia pela janela. Os taxistas também fumam dentro do carro. Como a minha amiga Marcia Chang já tinha me alertado, parece que todos os homens chineses fumam. E os guardas chineses são intragáveis. Se eles dizem não é não e não adianta tentar argumentar. Agora a parte boa. Lá as pessoas ainda andam muito de bicicleta, principalmente aquelas elétricas. Os chineses também gostam da cidade toda iluminada à noite. Prédios, árvores, fachadas, tudo muito colorido. Além de muitos telões pelas ruas. E duas das coisas que mais me agradaram: água mineral de graça no quarto do hotel (duas garrafinhas por dia) e os bancos abrindo de domingo a domingo, de 8h da manhã às 17h. O Brasil podia copiar isso, não? E pelas ruas, verdadeiros empórios de muitas marcas famosas, totalmente originais, de Dolce & Gabbana a Adidas e Apple, a despeito das falsificações que encontramos no Mercado da Seda. Ah, as passarelas em Pequim também têm escada rolante. Uma ótima ideia que também agrada aos preguiçosos ou cansados de tanto andar, como eu. Mas o dia estava só começando. Às 17 horas de pleno domingo tinha reunião marcada no hotel da presidente com o pessoal do Itamaraty. Fomos pegar as credenciais e detalhes da cobertura e nos deparamos com um briefing de uma hora do ministro Mercadante, aliás, o que mais falou nesta viagem. Lá encontrei os colegas guerreiros de todos os veículos, que também entrariam nessa jornada. Sem hora para comer, dormir, mas com hora certa para estar a postos no ônibus da imprensa, senão seria impossível driblar a segurança. Acho que esta foi a última noite que consegui dormir 8h seguidas. Depois, caiu pela metade.

À direita, passarela com escada rolante.

Percebi que se eu fosse narrar aqui dia a dia, ninguém teria paciência para ler. E longe de mim deixar o leitor do blog cansado desta maratona como eu fiquei, então recorro às fotos.

Sanya – o 'Havaí' chinês


Depois de 3 horas de vôo, Chegamos a Sanya, na província de Hainan, ilha no sul da China, mais conhecida como o Havaí chinês. O aeroporto ficava distante em 1 hora do local onde ainda tinha que pegar a credencial (mais uma). Depois de mais um briefing de uma hora, fomos liberados 23h para ir para o hotel, sem jantar, claro. Chegando lá me deparo com um resort chiquérrimo, um apartamento maravilhoso, com uma banheira maravilhosa e quem disse que podia aproveitar? Não. Tinha que mandar matéria.


Mas a propósito, você já foi a uma cidade de praia e não viu a praia? Comigo foi assim. Vi de longe, e registrei em foto, porque era impossível sair do quartel general, digo, do resort onde acontecia a cúpula dos BRICS. O comitê de imprensa foi nossa acomodação por um dia. A última coletiva acabou 22h30 e lá fui de novo para meu hotel chiquérrimo, confortável, maravilhoso, sentar na mesa de computador e mandar matéria. Será que essa foi a vida que escolhi? Acho que quando o calo aperta, os colegas fazem essa pergunta, afinal, todos, sem exceção, estavam arrasados. Resumo da história: posso entrar para o Guiness: dormi às 3h para levantar às 5h e estar no lobby do hotel às 6h. Rumo a Bo’Ao, cidade a duas horas de Sanya. Como aquele repórter que sobreviveu ao tsunami no Japão, eu sobrevivia à enxurrada de trabalho.

Os sobreviventes
O exército de Xi'an
Em Bo’Ao a passagem foi relâmpago. Só entramos e saímos do hotel do Fórum Econômico, rumo ao aeroporto para seguir para Xian, a cidade mais poluída que tenho notícia! Cheiro insuportável e uma névoa espessa que provém da queima de carvão, fonte de energia da cidade. Mas ainda bem que foi só um dia, rumo à oitava maravilha do mundo que está lá. Foi impressionante conhecer de perto os guerreiros de terracota, um dos maiores sítios arqueológicos do mundo. Melhor mostrar que falar.



Xian
 A Grande Muralha
A volta para Pequim foi no mesmo dia, e me convenci que a guerreira, não de terracota, mas de carne e osso, era eu. Já haviam se passado 10 dias de peregrinação e cobertura. Agora só me restava agradecer a Deus por tudo ter dado certo e aproveitar o restinho de tempo para conhecer mais uma maravilha do mundo, é claro, a Grande Muralha, the Great Wall. Vitória, que já virou minha amiga, foi a companhia desta missão fantástica. Escolhemos o trecho de Badaling, onde tem um teleférico para ajudar na subida, e que subida! Meus olhos quase não acreditavam no que estavam vendo. A única pergunta que me vinha a mente era: como seres humanos foram capazes de construir uma coisa gigantesca dessas? Afinal, são quase 9 mil km de extensão, cuja construção se arrastou por séculos, desde 220 a.C, diz a história.

Um pedacinho desta grandiosidade

Teleférico nas alturas
Vista impressionante
Por fim, uma passadinha no Mercado da Seda. Descobri que aquele velho slogan da Casas Bahia "Quer pagar quanto?" veio de lá. Sim, porque eles te seguram enquanto você não diz quanto quer pagar. Funciona assim: Você chega, pergunta quanto custa certo produto e eles escrevem na calculadora o valor, por exemplo: 850,00. Daí você fala que está caro e eles vêm com a pergunta da Casas Bahia. Você responde: 50,00. Eles dizem que esse preço é barato demais. Você agradece e vira as costas. Imediatamente o vendedor fala: Fechado! 50,00. Pode levar! Essa tática oriental me pegou de surpresa. Foi a maior barganha da minha vida! Bom, essas são um pouco das minhas lembranças Made in China. Ainda estou me recuperando do cansaço. Mas a trilha sonora para essa incrível aventura pode ser: "Valeu a pena ê ê, valeu a pena..."

I climbed the Great Wall!

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Mundo velho, mundo novo

Chegou a hora. Malas prontas, mochila made in China, e tudo o mais. Daqui a pouco embarco para este mundo velho, para mim, totalmente novo. A má notícia é que não vou poder atualizar o Blog até a volta, lá pelo dia 19, porque uma amiga me lembrou que lá todos os produtos Google são bloqueados. Se eu achar uma brecha, quem sabe! Mas pretendo postar as fotos assim que possível. Obrigada pelo carinho e apoio de todos nessa empreitada, especialmente meu amor e minha amora (mãe)rsrs. Não vai ser fácil, mas vai ser inesquecível. Faço uma escala em Paris e depois de um total de 30 horas lá estarei do outro lado do mundo. Mundo velho, mundo novo, mundo grande... Tudo indica que devo passar por quatro cidades: Pequim, Sanya, Bo Ao e Xian. Vou com a cara e a coragem. Não temo, creio somente.

Até mais!

sábado, 2 de abril de 2011

China, aí vou eu!


No ano passado, ganhei da minha mãe de aniversário um livro que narra as histórias de uma repórter brasileira na China. Mas eu jamais imaginaria que dentro de 11 meses esta repórter seria eu. Eu, Laowai, estrangeira na grande República Popular da China. Recebi a notícia desta 'missão especial' por telefone em meados de março e o embarque já é semana que vem. Muita coisa para planejar, aprender, apurar, pesquisar. Afinal, não é todo dia que se vai ao outro lado do mundo. Na bagagem, meu maior desafio profissional até então. Na cabeça, mil e uma expectativas, responsabilidades, check lists. Esta noite, mal consegui dormir com tanta coisa borbulhando na mente. Já estava entrando pela madrugada daqui como se estivesse em plena luz do dia lá. Vou a Pequim cobrir a que até agora é considerada a visita de Estado mais importante da presidente da república. Não é por menos, já que a China se tornou a maior parceira comercial do Brasil. Aliás, ela é maior em tudo, em população então, nem se fala. Serei apenas mais uma formiguinha em meio a 1 bilhão e 300 milhões de habitantes. Nem acredito que estarei bem perto da grande muralha, do ninho do pássaro, da cidade proibida. Mas tenho certeza de que com com Deus à minha frente, me guiando e capacitando, vou vencer mais este desafio. E depois de enfrentar mais de 30 horas de viagem, certamente abdicarei daquela ideia de que o mundo é pequeno. Porque não é. Nós é que somos. Espero encurtar esta distância contando aqui do blog as experiências em Beijing. Até lá!

terça-feira, 29 de março de 2011

Despedida

Há alguns meses fui convocada para ir às pressas para São Paulo de madrugada, para acompanhar o quadro de saúde do então vice-presidente da República. Ele acabara de sofrer um infarto e todos pareciam crer que dali não passaria. Permaneci por dois dias em frente ao Hospital Sírio Libanês e o pior boletim médico dizia que seu quadro era estável. As fotos oficiais da presidência também sempre mostravam um sorriso firme, ainda que ele estivesse sobre o leito. No início do ano, voltei a São Paulo, quando Alencar recebia uma condecoração, e estava lá firme, se desculpando por estar sentado numa cadeira de rodas. Ali ele fez sua despedida em público. Disse que tinha fé e que fosse feita a vontade de Deus. Hoje esta vontade se cumpriu. Depois de anos de luta, de vitórias, de dores, ele partiu. Agora, a exemplo de Tancredo, será velado no Palácio do Planalto, cedido pela presidência. Mas nada se leva desta vida. Espero que ele tenha conquistado, em vida, o maior tesouro que se pode ter, que é a vida eterna, ao lado de Deus. Adeus, Alencar.

Minhas últimas reportagens sobre Alencar
http://www.youtube.com/tvnbr#p/search/19/-mjlGG8YLuY
http://www.youtube.com/tvnbr#p/search/3/Qo6mV38Wm_4
http://www.youtube.com/tvnbr#p/search/0/Q_82CuobfdQ
http://www.youtube.com/tvnbr#p/search/5/jP2JpXU3adI

No Blog
http://casoantigo.blogspot.com/2010/11/boletim-medico.html

domingo, 27 de março de 2011

Sonhar é um bom começo


Poucas coisas me emocionam tanto quanto colação de grau. O que para muitos pode parecer apenas uma formalidade chata, piegas, para mim é uma passagem necessária para fechar um ciclo, concluir um projeto de vida, mostrar êxito naquilo que se propôs a fazer. Podem ser até desconhecidos de beca, mesmo assim é difícil segurar as lágrimas. Eu bem que tento, engulo o choro, solto um sorriso para disfarçar, mas não tem jeito. E quando conheço a história e o esforço do formando para chegar até ali, então... pode me trazer um lenço, porque não vou aguentar. Semana passada fui a uma colação da UnB. Mais uma para minha coleção. Com direito a confetes e serpentinas, balões de gás e todo o kit espalhafatoso que a ocasião pedia. Mas fiquei observando o rosto das pessoas na plateia. Das mães, dos pais, dos avós, e vi que não estava sozinha. A emoção era a regra, sem exceção. Passava um filme na cabeça de cada um, cujo título é superação. Como é bom terminar o que se começou. Vencer as dificuldades, e no fim ver que tudo valeu a pena. E é bom saber que todo dia é dia de começar. Porque como já dizia o poeta, os sonhos não envelhessem. Qual o seu sonho?

Viva!


Brotou a rosa. Linda, colorida, cheirosa, brotou. Viva a rosa! Hoje, foi arrancada da roseira para colorir e perfumar o dia de alguém muito especial. A singeleza de suas pétalas foi acariciar o rosto e buscar um sorriso deste alguém. Uma nobre missão. Ela espera encontrar aquele sorriso de sempre, mesmo em meio à lágrima ou à dor de outrora. Um sorriso de paz, aquela que excede todo o entendimento. Um sorriso de amor à Deus e à vida. Um sorriso de garra que ajuda a enfrentar tudo. Um sorriso de gratidão. Viva a vida! Mais um ano de vida! Viva a tia Virgínia!

Hoje queria te entregar esta rosa pessoalmente, junto com um abraço apertado. Mas envio todo o meu amor real, aquele que tenho por você desde pequenininha, por este meio virtual. Já te disse, e não me canso de dizer, que você é um testemunho de perseverança e força. Te amo!

O SENHOR te abençoe e te guarde;
O SENHOR faça resplandecer o seu rosto sobre ti, e tenha misericórdia de ti;
O SENHOR sobre ti levante o seu rosto e te dê a paz.
(Nm 6:24-26)

Texto em homenagem ao aniversário da minha tia querida, Virgínia Amaral Sales.

sábado, 26 de março de 2011

Ao sabor do vento

As nuvens chegaram logo para encobrir o céu nesta manhã. Não se contentaram em observar de longe o dia lindo que nos acordava neste primeiro sábado de outono. O sol permanece, por ora. Ainda não sucumbiu à chuva. Mas, aos poucos, o tempo está fechando, enquanto o vento leva para longe as folhas caídas da estação. E também sopra com força meu pensamento. Quando eu aterrissar, volto aqui para contar que sabor o vento tem.

sábado, 19 de março de 2011

Um dia memorável

Não há como dizer que foi um dia qualquer. Nem um encontro qualquer. A primeira mulher na presidência do Brasil e o primeiro presidente negro dos Estados Unidos. Ambos ali, a apenas alguns metros de distância da legião de jornalistas famintos por notícia. Mas uma notícia já estava dada: o encontro da democracia. Democracia que traz também divergências, interesses, barreiras comerciais, reformas tardias, que, como disse Dilma, refletem um mundo antigo. Obama andou, se portou e falou com a mesma serenidade que conheci à distância, pela TV. TV por onde agora dou a notícia. Ele chegou pontualmente às 7h30 da manhã com seu 'pequeno' avião de 70 metros de comprimento, o Air Force One. Acenou e desceu com a família. Até a sogra veio. No Palácio, chegou por volta das 10h20. Passou em revista à tropa, subiu a rampa calmamente, e lá no topo, Dilma, elegante como nunca, segundo opinião unânime de todos que consultei. Aproveitei a oportunidade e a brecha quase impossível entre uma câmera e outra para gravar uma passagem na frente dos dois chefes de Estado. Não era uma matéria qualquer. A declaração à imprensa atrasou em quase uma hora, mas pelo menos ali havia cadeiras suficientes para acolher os repórteres tupiniquins e aos sobrinhos do tio Sam. Neste dia memorável, com tantos flashes, a popularidade de Obama foi a 100, embora esteja abaixo de 50 pontos no seu país. Só se fala disso em todos os jornais. E também se fala no ataque autorizado pelos EUA à Líbia. A guerra começou, em nome da proteção aos civis líbios. O Brasil se absteve nessa decisão. O que seria melhor? Vamos ver no que isso vai dar. Fato é que este dia memorável agora está devidamente guardado e gravado eu em meu arquivo. Unforgettable.

Clique para assistir a reportagem: http://www.youtube.com/tvnbr#p/u/7/wpbCTMKKb7Q

Ichiro Guerra/PR

Roberto Stuckert Filho/PR

quinta-feira, 17 de março de 2011

Shakira no Palácio

De roupa preta, saltão e loiríssima, Shakira Mebarak acaba de chegar ao Palácio do Planalto. Confesso que nunca tinha visto seu sobrenome. Coisa de formalidades de agenda presidencial. Mas fato é que ficamos mais de uma hora aguardando a chegada, atrasada por conta da própria Agenda da presidente. Melhor seria se eu estivesse de 'pies descalzos', porque custou ficar em pé esse tempo todo. Depois que a Shakira saiu da Colômbia para o mundo, costumo dizer que ela troca de cabelo como quem troca de roupa. Assume mesmo as madeixas, sejam negras, vermelhas, com dread, de trancinhas ou loiras. O que mais me interessa na celebridade é a voz exótica, que, particularmente, gosto muito. Mas claro que os comentários gerais que ouvi por aqui foram: 'Ah, como ela é magra e baixinha!' 'Que cabelo feio, crespo, esticado... etc'. Inveja mata mesmo... rs Semana que vem quero ver o que a repórter do CQC, que também veio para cá com seu terninho mal cortado e de tênis, dirá. Shakira entrou rapidamente e com um sorrisinho tímido. Só parou para tirar foto com um menino, filho de uma funcionária, que pediu para ela com todas as letras - Sharira, tira uma foto comigo? - quebrando o silêncio. Mas alguns passos depois, o elevador já estava a sua espera, e foi-se. Neste momento está em audiência com a presidente. Vamos ver o que sairá de lá, desta agenda 'Loca'!

>>Atualização: O encontro foi rápido. Logo Shakira desceu para falar com os jornalistas. Ela doou um violão autografado para ser leiloado por programas sociais no Brasil e falou sobre a fundação latino-americana da qual é ativista, voltada para o desenvolvimento de crianças carentes de 0 a 6 anos. Viu, não basta ser pop, tem que se preocupar. Até!

Clique aqui para assistir a reportagem: http://www.youtube.com/tvnbr#p/u/16/P7ZgOhJaag0

Ichiro Guerra/PR

quarta-feira, 16 de março de 2011

Estoy Aqui

Mais um fim de tarde prateado na Esplanada. Os vidros furtacor dos ministérios refletem o vai-vém de carros e ônibus que encerram mais um expediente. A noite cai e eu continuo aqui, diante das cúpulas do Congresso, com a vista privilegiada do comitê de imprensa do Planalto. Vista vip e rotina mais parada que o usual. Na era Lula, não eram raros os eventos, solenidades, as imagens, as sonoras. A expectativa continua a mesma, mas com menos finais felizes e menos leads. Vemos mais a 'presidenta' pela TV, batendo papo com a Ana Maria ou andando de mãos dadas com a Hebe, do que aqui, em seu nobre palácio. Mas continuamos na eterna expectativa, esperando que alguém apareça diante do nosso púlpito, e nos dê atenção. Para assim dispararmos as boas ou más novas aos ouvintes, telespectadores, leitores, twiteiros, para o mundo. Nesta tarde, só rendeu uma sonora com o presidente mundial da AB InBev - maior produtora de cervejas do mundo. A má notícia é que eles vão investir R$ 2,5 bi no Brasil este ano. Devem gerar milhares de empregos, novas tecnologias e introduzir milhões de pessoas no alcoolismo maldito. Sim, porque nenhuma cerveja é impune, todas são devassas. Vão criar latas de tamanhos e rótulos diferentes. Sabores e texturas. Contribuirão diretamente para o aumento dos acidentes de trânsito nos feriadões. Aguardemos a divulgação do balanço da PRF na Semana Santa. No Carnaval, os resultados já foram devastadores. E ninguém se interessa em aprovar logo o projeto de proibir propaganda de cerveja, que perece no Congresso desde a época da proibição de comerciais de cigarro. A bebida foi retirada do texto estrategicamente. Dá lucro demais para ser considerada vilã. Mudando para um assunto mais sóbrio, Shakira e Obama estão dando o que falar por aqui. Tudo indica que Dilma irá mesmo receber a colombiana amanhã no fim do dia, nada confirmado ainda oficialmente. A pop engajada deve falar sobre a Fundação América Latina Solidária com a presidente. Vamos ver se ela falará com a imprensa no final, antes do seu show. Já o Obama requer mais cuidados. A Praça dos 3 Poderes e o Palácio já estão cercados. Quem quiser ver o presidente, só de longe. Ele deve chegar por volta de 10 da manhã de sábado (19) e ser recebido com as formalidades de praxe. Eu, provavelmente, estarei bem posicionada no chiqueirinho da imprensa oficial, devidamente credenciada. Dali, Obama segue para um almoço no Itamaraty. Mas, lembrem-se: no sábado, a Esplanada vai estar fechada a partir das 8 da manhã. Obama podia, entre outras coisas, acabar logo com a exigência do visto de brasileiros que vão passear nos EUA. Mas vamos aguardar para ver o que o presidente, outrora tão popular, vem nos dizer. Amanhã tem mais plantão aqui, direto da janela do Palácio e da prateada Esplanada. No ritmo estonteante de Estoy Aqui.

Nessa época, eu ainda ouvia Shakira

sexta-feira, 11 de março de 2011

Breaking news

Terremoto e tsunami no Japão, genocídio na Líbia, alertas nos EUA, na França e em outros tantos países. Tudo chacoalhando ao mesmo tempo no noticiário. Ondas assustadoras de catástrofes que inquietam o planeta. O que vem a seguir? Só Deus sabe.

quarta-feira, 2 de março de 2011

O jeito Ronald de voar (2)

Há algum tempo, escrevi aqui sobre o jeito Farias de voar. Tratava-se de um comandante bem-humorado e gentil, que fez a diferença num voo da Tam. E agora, por questão de justiça, registro aqui o jeito Ronald de voar. Desta vez um comissário, o mais hilário que já vi. Com voz de locutor e sambista carioca, ele levou os passageiros ao delírio e recebeu duas salvas de palmas entre Salvador e Brasília. Uma das pérolas foi ter dito que deixava 17 mil beijos no coração dos passageiros. Daí em diante a simpatia conquistou até quem estava dormindo e ele aproveitou para se abrir mais ainda, cantando. Na saída, ainda deu autógrafo, é mole? E já 'estrela' em vários vídeos do youtube. Preciso dizer que esta foi a única qualidade do voo Webjet. Na minha opinião, a pior companhia atualmente, apesar de preços mais acessíveis. E justifico: Atendentes do check in mau-humorados; não se pode escolher a poltrona, pois o 'sistema' sorteia na hora, e normalmente meio. Ah, caso queira escolher, tem que pagar 5,00 na hora da compra do bilhete, como não fui eu que comprei... Outra coisa é o cardápio. Serviço de bordo não existe. Vc paga tudo o que consome, ou, passa fome. Já fui prevenida e levei meu salgadinho, porque me recuso a pagar 12,00 por um sanduíche. Não esqueçam: levem a lancheira para voos Webjet ou paguem até pela água que vão beber. Até a Gol está aderindo ao cardápio, mas pelo menos serve o básico. Mas em caso de emergência e falta de dinheiro no bolso, não se preocupe, eles passam a maquininha do débito. Aff, como diriam minhas irmãs.

Uma chave singular

Dizem que, para entrar em alguns lugares, só com um sorriso sincero. Ele é capaz de abrir portas que nem se imagina. Portas que driblam a arrogância, o mau-humor, a ignorância. Verdadeiras fortalezas que, sem o sorriso, seriam intransponíveis. Ele amolece o coração duro e a ruga mais sisuda na testa. Abre caminhos para o diálogo, a gentileza, a cordialidade, e por que não, ao amor. Além de ser saudável para a alma sorrir e agradecer pelo dia, pela vida, por mais que ela traga seus percalços. Hoje não acordei sorrindo. Não sorri para uma atendente que passou a noite trabalhando numa lanchonete do aeroporto e às 6h da manhã certamente já estava exausta. Tenho a impressão de que se eu sorrisse para ela, esse fim de plantão terminaria mais leve. Preferi guardá-lo comigo. Mas sorriso guardado não surte efeito e não abre portas. É como uma chave perdida, fora do chaveiro. Então digo para mim mesma: sorria, mesmo que pareça difícil. O resultado vale a pena. É singular.


Bom dia. E não se esqueça: sorria


Pelo Pelô


Fiquei devendo a saga do Pelourinho. Quem me conhece deve perguntar o que faço no olho do furacão do Carnaval na Bahia, no meio da batucada, em frente ao palco do Olodum... Cobertura presidencial, respondo. Como assim? Caí de paraquedas numa pousada no centro histórico nervoso de Salvador na semana de Carnaval. O casarão colorido da pousada deve ter uns 400 anos. Pé direito alto, móveis rústicos e muito simples. Nada de luxo, e mesmo assim, hospedagem cobiçadíssima pelos foliões, que não veem a hora de liberarmos os quartos. Não seja por isso, às 5h da manhã partirei, e é capaz das ruas ainda estarem cheias. Cheias de gringos de toda parte. E brasileiros, muitos, que não se cansam dessa vida. O fascínio que a festa da carne provoca no mundo é impressionante. Mas depois chega a quarta-feira e tudo é cinza. Eu sei que vou pular de alegria quando chegar na minha cama e no meu sossego. Já andei o suficiente pelo Pelô. Agora deixo a banda passar, com uma ressalva: as vielas do Pelourinho são estreitas, mas o caminho da perdição é largo, muito largo. Pense nisso!

terça-feira, 1 de março de 2011

A saga do Projac


TV GLOBO / Renato Rocha Miranda
Neste momento está sendo exibido o programa Mais Você com a presidente Dilma Rousseff, gravado ontem (28). Não dá para ver (risos), mas eu estava lá. Sim, estava lá na recepção do Projac com mais meia dúzia de colegas da Folha, Estadão, da própria Globo, CBN... Todos à espera da presidente, já cientes que nem a veríamos, a não ser hoje, no ar. Mas uma coisa que aprendi nesta cobertura presidencial é que não importa onde, quando e o quê, precisamos estar por perto. Ossos do ofício. Afinal, é a principal mandatária do país. Ela chegou às 11h20, pontualmente atrasada em meia hora. Pudera, o tempo estava muito nublado e o deslocamento foi de helicóptero. O mais próximo que ficamos dela foi quando ouvimos o barulho das hélices durante o pouso, acusando sua chegada. A partir daí, foi uma jornada de quase cinco horas sentados nas poucas poltronas da recepção, cercados de artistas por todos os lados. Bruno Gagliasso, Suzana Vieira e Caio Castro foram alguns dos que passaram por lá. Mas ninguém era celebridade para nós a não ser Dilma Rousseff. E a gravação se prolongava e entrava pela hora do almoço. Enquanto elas tomavam o café da manhã no bate-papo do programa, a nossa fome aumentava. Mas um Bob's que ficava pertinho dali foi a salvação. Pedimos para um colega buscar alguns lanches e seguimos esperando. De dez em dez minutos ligávamos para assessores em busca de notícia, afinal, já estava dando 3 da tarde e nada da presidente sair. Ela estava num almoço oferecido pela Ana Maria. Foi quando saiu do Projac o grupo de repórteres da Contigo e afins que haviam entrado para acompanhar a gravação de um novo seriado global, acho que se chama Tapas e Beijos. Lá, participaram de um coquetel e tiveram que compartilhar a comidinha com os jornalistas famintos. Os bem-casados que eles trouxeram de lembrança foram rapidamente devorados por quem estava fora. Percebe-se que foram mais bem tratados que nós nessa cobertura. Bem, por volta das 16h a hélice acusava novamente que Dilma havia partido. E nós estávamos liberados. Esta foi a saga do Projac, a chamada fábrica de sonhos da Globo, onde não é permitido tirar uma foto do lado de dentro e nem fazer um tour despretensioso com o carrinho elétrico. Enfim, este foi um pouquinho da minha rotina nesta segunda-feira. Mas estava só no início. Depois conto a saga do Pelourinho, onde cheguei só depois da meia-noite, depois que saí do Projac. Daqui a pouco a presidente estará aqui em Salvador. Desta vez, espero que renda matéria.


TV GLOBO / Renato Rocha Miranda

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Espécie em extinção

Esperando pela transmissão ao vivo do Oscar, num quarto de hotel no Rio, me deparo com uma reportagem sobre a mais nova espécie em extinção: o Blog. Sim, ele está sendo substituído, ao que tudo indica, pela versatilidade dos míseros 140 caracteres do twitter, mais conhecido como microblog. Já era de se esperar. É como a substituição natural da espécie tijolão pelo iphone, do VHS pelo Blu-ray, do Atari pelo Wii, da nossa capacidade de escrever pela capacidade de resumir. No meio virtual, o que importa é o conteúdo, a despeito da forma. (Aliás, no Facebook, uma imagem vale mais que mil palavras.) O resto é encheção de linguiça. A justificativa para este fenômeno natural é que os milhares de blogueiros estariam cansados de escrever para ninguém ler e, portanto, protagonizando esta diáspora rumo ao twitter. Mas, por enquanto, não seguirei esta tendência, e nem serei seguida por ninguém. Prefiro continuar com a infinidade de caracteres do blog. Meu caso antigo é com as palavras, por isso não abrirei mão delas tão cedo, ainda que seja considerada prolixa pela nova ordem mundial da microcomunicação. Ainda carrego o peso do tijolão das orações e períodos que não cabem nos 140. Posso até me cansar de não ser lida, mas jamais me cansarei de escrever. Assim espero. Agora vamos ao Oscar.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Foi-se

"Bóia no céu, imensa e amarela, tão redonda lua, como flutua..." Essa trilha de Tom Jobim poderia acalentar esta linda noite de sexta-feira. Saindo do trabalho me deparei com ela, que me atraiu como imã. Mudei o caminho de casa e fui seguindo sua luz. Peguei um trajeto alternativo, desci a Esplanada, louca para parar num sinal vermelho para fotografar. Mas quando a gente menos precisa, vem uma onda verde. Mas fui a 60 por hora, sem pressa, dividindo a atenção entre o trânsito e sua beleza. Cheguei em casa, depois de uma semana dura, e parei para conversar pelo Infinity com minha tia querida, Virgínia, direto de Curitiba. Quando de repente, o telefone toca. - Princesa, roubaram o carro. - O quê?! Exclamei assustada. Isso mesmo. Já estava feito. Nosso carrinho de estimação havia sido furtado numa área iluminada, atrás de uma conhecida faculdade. Nos encontramos para registrar ocorrência e entregamos a Deus a solução. A essa altura, a Lua já havia nos abandonado. Subiu ao firmamento. Mas certamente testemunhou tudo lá de cima, com uma visão panorâmica. Porque muito pode escapar das lentes das câmeras, mas nada escapa aos olhos de Deus, criador do céu e da terra. Ele sabe onde nosso carro está, e sabe se ele vai ou não reaparecer. O sentimento de indignação e impotência diante da criminalidade dão lugar à paz e gratidão por não ter acontecido nada pior. Que Ele continue nos protegendo e, se for da Sua vontade, traga nosso carrinho de volta. Vai fazer uma falta...

Amo x odeio

Resolvi colocar um raio-x daquilo que penso e sinto. Um breve exercício de auto-conhecimento. Um dos mais difíceis, aliás. Sessão inspirada no Fabuloso Destino de Amélie Poulain (2001).

Amo

Receber os amigos em casa para comer e bater um papo
Receber flores, nem que seja uma rosa solitária
Receber a piscadinha do meu marido
Cantar
Ser repórter
Tirar férias
Viajar
Ter tempo para não fazer nada
A hora de dormir (sempre)
Assistir a um filme e me emocionar
Ouvir piadas, já que não sei contar
Jogar Super Mário, dos antigos, especialmente a lutinha contra o Luigi
Jogar jogos de tabuleiro, especialmente Imagem e Ação, e voltar a ser criança
Não sentir nenhuma dor
Escrever e imortalizar os fatos
Tirar fotos e imortalizar os momentos
Comer bem, conhecer novos restaurantes
Aprender receitas
Resolver um problema com diálogo
Ver o pôr do Sol, ou o nascer, quando consigo
Ver a evolução de uma criança
Sapatos rasteiros
Cachorros dóceis e espertos
A panqueca, o camarão na moranga e a feijoada da minha mãe
Ah, faltou a couve-flor empanada
Zucotto, o legítimo
Havaianas, as mais práticas
Ouvir música, uma para cada momento
Andar nos corredores da Escola de Música
Ir a um concerto no teatro (de preferência de graça)
Assistir a uma ópera completa (como há muito não fazem em Brasília)
Participar de um coral e ser contralto
Espírito cooperativo

Odeio

Carregar um monte de coisas nas mãos e,  ao mesmo tempo, ter que abrir 'mil' portas
Não obter resposta de algum email que enviei
Perder a chave ou o celular dentro da bolsa
Esquecer alguma palavra quando preciso dela
Fofoca
Arrogância e estrelismo
Injustiça
Mentira
Ser indisciplinada
Quebrar copo lavando a louça
Desorganização
Baratas (com todas as forças)
Insetos em geral
Hipocrisia
Dor de cabeça ou qualquer outra dor
Ser mal compreendida
O alcoolismo, que destroi vidas e famílias
Sapato que machuca, normalmente de salto alto
Não ser recebida pelo anfitrião de uma casa (quando ele demora a abrir a porta e quando abre vira as costas sem ao menos dizer oi. Isso acontece nas melhores, ou piores, famílias, pasmem...)
Cachorro bravo que só sabe latir e rosnar
Gatos (que me perdoem)
Cachorro que não gosta de receber carinho (por medo, começa a tremer)
Exageros
Quando só se pensa no próprio umbigo
Ser tão tímida (atrapalha conhecer novas pessoas)

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Claro que isso é pouco, uma pesquisa por amostragem do que veio à mente agora. Depois vou incrementando.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Any news?

Vaguei pela rede e não me interessei por nada. Ronaldo se aposentou aos 34, sonho de muita gente... Salário mínimo fechou nos 545,00, uma pena para muita gente. Pena que nem todos são fenômenos do merchandising, dos anunciantes, da bola no pé, carreira mais promissora em nosso país. Que ele descanse e se trate do hipotiroidismo... Vou me lembrar de alguns lances marcantes por algum tempo, até que daqui a 50 anos ele seja condecorado como o novo Rei, como se nós fôssemos eternos súditos da bola. Mas uma coisa me chocou, o derrame sofrido por uma repórter em pleno link ao vivo no Grammy. Imagino a pressão que esta mulher devia sofrer diariamente. Espero que ela fique bem... Enfim, quando nada me chama tanta atenção, recorro à gastronomia. Sites com pratos impecáveis, que dão água na boca e fazem esquecer do resto. Deixo com vocês um deles, e corro para a casa e a comidinha de mãe, que hoje será meu cardápio. Há coisa melhor?

Boa noite e bom jantar...


Portal Quero Comer

Portal Quero Comer


sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Alguém tem que ceder!



Pedro Ugarte/AFP

Ele cedeu. Os 18 dias de protestos nas ruas do Cairo, no Egito, não foram em vão. Hoje o povo teve a vitória: o ditador Hosni Mubarak renunciou depois de 30 anos no poder e decidiu mudar-se com a família para o litoral egípcio. Agora o poder está com as Forças Armadas e as eleições estão previstas para setembro. Esse é só o começo, vamos aguardar os próximos capítulos.

E se...?


E se você pudesse passar tudo a limpo? Se pudesse descartar as coisas que causam dor e sofrimento e reescrever uma nova história, com um enredo inédito? E se aquelas manhãs cinzentas voltassem a ter as cores da aquarela, o sol voltasse a brilhar da janela, o ar puro enchesse os pulmões? Se aquela árvore seca se vestisse de novo do verde frondoso e voltasse a oferecer aquela sombra agradável e reconfortante? Se a música não parasse de tocar, nem por um instante, e acalentasse os mais novos sonhos, ainda que distantes? E se um sorriso brotasse daquele rosto sofrido, desgastado pelo tempo e pelas circunstâncias? E se aquela dor de cabeça, aperto no peito, sensação de beco sem saída se diluíssem na certeza de que tudo pode se fazer novo? E se a ansiedade desse lugar à paz, aquela paz que excede todo entendimento? Se a chuva viesse regar novas esperanças? E as lágrimas de alegria brotassem na hora da colheita? E se tudo fosse possível ao que crê? E se você descobrisse que sim, tudo é possível, segundo palavras do próprio Cristo? Olhe pela janela, sente debaixo de uma árvore, respire fundo. Há esperança para o ferido. O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã, já dizia o salmista. Agradeça a Deus por te dar, a cada dia, uma página em branco, pronta para ser preenchida por suas escolhas. Apenas o convide para fazer parte delas, pois Sua vontade é boa perfeita e agradável.

Uma sexta-feira de paz para todos.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Só nos resta aprender...


Voltando para casa depois de um dia intenso de trabalho, ligo o rádio e ouço a música Sol de Primavera, em plena chuva de verão. Mas a chuva de inspiração dos compositores nos faz refletir:

"A lição sabemos de cor
Só nos resta aprender"

Beto Guedes/Ronaldo Bastos

Boa quarta-feira!

The pursuit of happyness

Tudo bem que o filme é 'catálogo', de 2006. Já passa até na tv aberta. Mas como diz o slogan de uma locadora perto de casa: Lançamento é tudo o que você ainda não assistiu. Gosto de filmes que mostram determinação, garra, perseverança. Sinônimos ou não, são valores que levam à refletir. Nem todos os que procuram a felicidade a acham, porque procuram no lugar errado. Eu já encontrei a felicidade, e compartilho aqui com quem ainda está à procura.

"Provai, e vede que o SENHOR é bom; feliz o homem que nele confia."
Salmo 34-8

Para quem ainda não viu, fica a dica:

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Quem é Ken?

Esta, definitivamente, deveria estar na sessão de notícias bizarras das agências:

"Ken, o boneco masculino que é o par da Barbie, terá uma conta no Twitter e no Facebook para reconquistar sua ex-namorada, ao completar 50 anos este ano, informou a fabricante Mattel nesta quinta-feira.

De acordo com sua biografia oficial, ele nunca se casou com Barbie, e ela apenas usa vestidos de noiva "para satisfazer seus amigos alfaiates".

Barbie e Ken separaram-se oficialmente em 2004, para aproveitar a vida de solteiros."


Desde criança eu já sabia quem era ken, apesar de todas as minhas Barbies terem sido solteiras. O que eu não sabia é desses bastidores sórdidos da notícia, dignos de qualquer celebridade. Afinal, o que não faz um empresário para ressuscitar algumas cifras de lucro? Nem eu tenho conta no Twitter e Facebook, pasmem, mas nosso amigo Ken, tem. Agora, convenhamos, a melhor parte foi esse golpe do véu. Que 'toco' que o Ken levou da Barbie e de seus alfaiates, não? Ele doido para casar e ela só queria desfilar aquela cintura absurdamente esbelta. Claro, deve ter tirado umas quatro costelas, no mínimo... Bom, fato é que eles estão aproveitando a vida de solteiros gente! Como diria meu marido, parafraseando o Quico, 'que coisa, não?' Isso só comprova a tese que acabei de inventar de que boneco também é gente. Vamos ver se esses flertes pela internet vão ajudar Ken a reconquistar Barbie. Mas acho que dentro daquele fino corpitcho não cabe nem um coração.

Ah, só creditando: a matéria citada na Folha é da France Presse.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Um brinde ao fim do dia

Mais um dia quente de verão se despede. Por trás do Congresso, o sol aos poucos desaparece, deixando um rastro colorido no céu que emoldura toda a Esplanada. Já são quase 8 da noite, pelo horário de verão, e ele insiste em permanecer um pouco mais. Parece gostar de ser contemplado. Bom para mim, já que acompanho de camarote este crepúsculo, com uma visão panorâmica do comitê de imprensa do Palácio do Planalto. Niemeyer certamente pensou nisso e foi bondoso com os jornalistas. Para aliviar as tensões, assistimos a um belo entardecer. Um brinde ao dia, e ao fim dele.

É dada a largada

Atenção para a chamada: ACM Neto, Jaqueline Roriz, Jean Willys (ex-BBB), Paulo Maluf, Romário, Sarney Filho, Stepan Nercessian, Tiririca. Ah, faltou o Sandes Júnior, de Goiás, e o Acelino Popó Freitas, suplente da Bahia. Esses são apenas alguns ilustres nomes que integram a 54ª Legislatura de nosso país. O povo escolheu, lá estão hoje, elegantes em seus ternos e vestidos de gala, gritando em alto e bom som: assim prometo! A leitura dos nomes dos 513 deputados durou cerca de 40 minutos, em uma das raras sessões em que o quórum é completo, e terminou com uma densa salva de palmas dos novos parlamentares. Novos é modo de dizer, alguns são velhos mesmo, com até 11 mandatos consecutivos, como o deputado Henrique Eduardo Alves, do Rio Grande do Norte. Talvez a maior novidade, em meio a tantos protocolos repetitivos, seja o painel eletrônico do plenário, que foi modernizado. O painel demorou a abrir, deixando o presidente da mesa um pouco irritado. Mas isso é detalhe diante da data em que foi dada a largada para mais 4 anos de mandato. Cada um prometeu mil coisas, algumas que parecem até promessas do executivo e não do legislativo. A Câmara virou picadeiro, ringue e campo de futebol. No palco das principais decisões do país estrelam palhaços, boxeadores, jogadores, atores, advogados, empresários, padres, pastores, uma miscelânea que revela a diversidade brasileira. Vamos ver o que nos aguarda, além da Florentina. Se vamos nocautear a corrupção ou se ela vai nos derrubar.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Tempo de sobra


Praia do Gunga - AL
 Começar o ano de férias não tem preço. Na verdade, o preço foi pago em 12 suadas prestações de trabalho. Hora para chegar, sem hora para sair. Uma folga aqui, outra ali. Um abono de cinco dias. Mas férias são férias. Insubstituíveis, indispensáveis. Há quem venda 10 dias, há quem esqueça de marcá-las, ou que prefira não tirá-las. Há louco para tudo. Eu sou louca por férias. E dia 1° de janeiro, 10 da manhã, lá estávamos eu e a grande família embarcando para a beira do mar, um mar verde, transparente, paradisíaco. Primeiro destino: Maceió. O hotel na Ponta Verde tinha uma vista única. Andamos pelo calçadão, que ainda exalava a ressaca do reveillon, e depois decidimos descansar um pouco. Na tv, flashes ao vivo da posse da primeira presidenta, como prefere ser chamada. Se não estivesse de férias, lá estaria eu no cercadinho junto com os coleguinhas, cheia de olheira e corretivo depois do ano novo. Mas estava a quase 2 mil quilômetros de distância, sem remorso, sem a chuva de Brasília. Feliz por ter mais alguns dias preciosos de descanso para renovar o ânimo. Dias de céu azul e de pegadas na areia. Segundo destino: Maragogi. A visita aos famosos corais deste lugar era concorrida, virou até caso de polícia pela superlotação dos catamarãs. Mas depois de duas horas perdidas na delegacia com um grupo de turistas irritados, voltamos para a piscina do hotel e apenas adiamos a visita para o dia seguinte. Valeu a pena todo o esforço. A natureza nos pagou uma farta indenização, com juros e correção. Peixes e corais ao alcance das mãos. E os verdes mares de Alagoas mais uma vez nos surpreenderam. A noite na pacata Maragogi nos guardava uma tapioca deliciosa, como de costume. Moqueca, camarão e até pizza também fizeram parte do cardápio, tudo regado a muito suco de cajá. Terceiro destino: Cruzamos a fronteira Alagoas/Pernambuco e chegamos à badalada vila de Porto de Galinhas. Elas estão esculpidas por toda parte, nas vitrines, praças e portas de restaurantes. Lá passeamos de buggy de ponta a ponta. Isso significa ir da praia de Muro Alto, passando pelo Cupe, até chegar ao pontal de Maracaípe. No caminho, paramos para ver o cavalo marinho. Ainda uma pausa para um almoço delicioso e mais suco de cajá. Nos intervalos dessa nossa agenda corrida, abríamos um espaço para caminhar na areia, para estender a saída num lugar qualquer e deitar para contemplar o mar. Um queijo coalho assado sempre caía muito bem nesses momentos. Falar da vida também era nossa distração. Mas uma atração à parte nesta volta ao litoral nordestino foi a estreia do pequeno Samuel, meu sobrinho, nas areias da praia. Ele tem sangue genuíno da família Sales, que ama o mar. Com a ajuda da mãe, da vovó, das tias e do tio coruja, deu seus primeiros passinhos na areia, fez castelo, molhou os pés. Um ano de idade bem vivido. Última parada: Recife. Para não perder a oportunidade de voltar à minha terra natal, gastamos a última manhã de férias nas ruas da capital. Foto no baobá, na casa da cultura e num banquinho em Boa Viagem, onde passeei por longos dias na barriga de minha mãe. Um pulinho em Olinda para contemplar a vista do Alto da Sé fechou com chave de ouro esta jornada que vai ficar gravada não só nas nossas centenas de fotos, mas no coração. E que venha o novo ano, cheio de saúde e trabalho, para aí então virem as novas férias, merecidas, sem hora para chegar, nem para sair. Com tempo de sobra para ser feliz.


Corais de Maragogi - AL

Muro Alto - PE

Alto da Sé - Olinda - PE

Ponta Verde - Maceió - AL

De volta ao fantástico mundo do Blog

Existe alguma pena para quem comete abandono de blog? Há milhares de flagrantes deste delito na rede. Sou ré confessa desse crime, mas estou aqui para me redimir. Depois da rotina voraz do fim do ano, resolvi emendar nas férias e, por consequência, tirei férias do blog. Mas aqui estou eu, curiosamente no dia da saudade, comemorado dia 30, para dar o ar da graça. Meu caso com as palavras e o cotidiano volta à tona. Quem viver, lerá!

Feliz fevereiro novo!

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Vem chegando o verão

Basta abrir a janela e ver. Ver e viver o verão. Dias coloridos, noites quentes, chuva de vez em quando para refrescar, chinelo ou rasteirinha no pé e roupas leves para se deixar levar. Há quem repudie a estação do calor humano e prefira um céu cinza, carregado. Estes que fujam para o frio europeu e enfrentem o caos dos aeroportos escondidos debaixo da neve. Mesmo com a iminente greve dos nossos aeroviários, eu prefiro explorar essa mistura de céu e mar, que se fundem num azul estonteante. Prefiro as cores e sabores dos nossos sucos tropicais. Cajá, cupuaçu, manga, goiaba. Prefiro comer uma moqueca na praia, com pé na areia e corpo molhado do mar. Na posse da primeira presidente do Brasil, já estarei rumo a essa rotina que me dá água na boca. Devo assistir a alguns flashes pela tv, mas sem terninho, sem credencial, como uma simples cidadã, curtindo o principal benefício já conquistado pelo trabalhador: férias! Maceió, Maragogi e Porto de Galinhas nos aguardam, tenho certeza, de braços abertos. Dias preguiçosos e preciosos para retomar o fôlego para o novo ano, se Deus quiser, de muito trabalho e saúde. Inaugurei este verão no Rio de Janeiro. Na véspera, a lua cheia chamou atenção até do presidente, que aconselhou o público a usar a imaginação. Coisas de Lula. Às 21h38, hora exata da chegada do verão, eu estava derretendo no quarto do hotel sem ar-condicionado, sentindo na pele o calor da estação. Finalmente embarquei de volta para casa nesta manhã e as expectativas são as melhores, pois é chegado o verão!

domingo, 19 de dezembro de 2010

Quem é vivo sempre aparece

Quase um mês de abstinência, de privação de ideias, de palavras, de fatos marcantes e marcados em minha memória. Agora o tempo já passou, esses dias longe do blog não voltam mais. Eles já cumpriram seu papel de somar experiência, alegria, tristeza, emoção à vida de cada um, e à minha, particularmente. Amanhã embarco para minha última viagem a trabalho de 2010. O diário de bordo deste ano foi extenso. Nos próximos capítulos quero derramar aqui um pouquinho do que senti nestes 365 dias. Porque dezembro inevitavelmente nos chama a um balanço. Do tempo que perdemos e do quanto nos doamos. Mas isso vou guardar para depois, antes do apagar das luzes e do nascimento do novo ano.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Longe de casa

Mais uma vez me contento só com o cheirinho de casa que trouxe na mala. Ela quase já não se desfaz. Vida na ponte aérea. Essa distância compulsória revela cada vez mais o amor que há em mim, disfarçado de saudade. Até quando chegar e, de novo, colocar a mala num canto, sentir o cheirinho de casa, rolar na cama, fazer uma comidinha boa no nosso fogão, sentir o seu abraço apertado, e esquecer o horário de um novo embarque que me leve para longe de casa.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Nas nuvens

São Paulo respira arte. Isso não é novidade. Novidade é o que a arte faz com São Paulo. Desta vez, surgiu um imenso céu pontilhado sobre a Avenida Paulista. A artista escolheu como moldura da Tramazul as pilastras vermelhas do Museu de Arte, o MASP. Lá descansa a agulha depois de um árduo trabalho. Trabalho de colorir a cidade e de dar um novo fôlego para quem atravessa a Avenida. Colírio para os olhos que ardem com a poluição. Nos faz lembrar como era para ser o céu de São Paulo. Nos faz flutuar sobre a Paulista. Viva a arte.

MASP - novembro 2010

sábado, 13 de novembro de 2010

Para descontrair

Trocadilho ouvido enquanto esperava o elevador, depois do resultado do segundo turno das eleições: "É... Sai 'o cara', entra a coroa!".

Boletim médico

Ele venceu mais essa. 79 anos, mais de 15 cirurgias, dezenas de internações, quimio e, agora, para completar, um infarto agudo do miocárdio. Não dá para elencar quantas barreiras Alencar venceu. Mas ele venceu mais essa. No dia seguinte ao infarto e um invasivo cateterismo, já acordou bem humorado e pedindo para o assessor ler as principais notícias do dia. Mais tarde, assinou documentos oficiais, afinal, era o presidente em exercício e tinha que fazer o dever de casa, e parece não ter se queixado disso. Os bons resultados o fizeram deixar a UTI no mesmo dia. Logo em seguida, retomou a quimioterapia, que só deu trégua durante o dia do ataque cardíaco. Hoje, recebeu a visita do amigo Lula, e saiu na foto com um largo e sereno sorriso, como se nada tivesse acontecido. Será que existe alguém imune à dor? Talvez um dos X-Men? Ou talvez Alencar tenha fé no Deus dos milagres, que permitiu que ele vencesse mais essa. Só sei que todos ficam boquiabertos com seus boletins médicos. Sempre trazendo notícias de superação. Em breve Alencar deve ter alta de mais uma jornada. Os repórteres de plantão, como eu, ainda devem ter muita notícia boa para dar sobre este homem. Porque notícia ruim não faz parte da sua rotina. Eu vou seguindo por aqui, de plantão nesses dias gelados de São Paulo. Frio, aliás, fora de época. Tomei um café Macadâmia para esquentar, mas não adiantou. Pelo menos tenho uma notícia quente. Ele venceu mais essa!

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Cristo, Redentor

Apesar de Tom Jobim ter citado o Galeão no Samba do Avião, não tem como aterrissar no Santos Dumont e deixar de cantarolar: "Cristo Redentor, braços abertos sobre a Guanabara." De longe se vê o Corcovado, o Pão de Açúcar, a ponte Rio-Niterói e todos aqueles cartões postais que todo mundo já está careca de ver, mesmo sem conhecer. O Rio de Janeiro apaixona pela sua grandeza. Foi ali que papai viveu os tenros anos de sua meninice. Falei como os autores de antigamente, eu sei. Mas esta é a verdade. Verdade também que quase nada sei da sua vida na infância e adolescência. Sei ao menos que teve um cachorro lindo chamado Argos, e que se naturalizou carioca desde que pisou ali pela primeira vez. E perpetuou esse jeito malandro de ser, no bom sentido. Na semana do seu aniversário, que seria hoje, 28/10, fui ao Rio pela primeira vez a trabalho. Visitei de Copacabana a Complexo do Alemão e Manguinhos, passando rapidamente por Realengo e Bangu, na zona oeste. Observando os cariocas, vi meu pai em muitas atitudes. Olhando a areia e o mar, senti que herdei mesmo essa paixão litorânea. Conheci finalmente a manjada escultura de Drummond no banquinho. Claro que tirei foto com ele, que não queria ser o poeta de um mundo caduco. Papai também não queria ser caduco. Viveu com intensidade sua jovialidade, enquanto pôde. Escolheu caminhos certos e caminhos tortos. Mas uma escolha prevaleceu, por Cristo. Guardo a Bíblia que ele usava na juventude, que a mamãe trocou a capa, pelo desgaste natural de tanto uso. Em uma das suas anotações, ele enfatizou um texto de Jó: "O que o Senhor dá, Ele mesmo pode tomar". Ele lhe deu a vida, e no tempo d'Ele, a tomou para si, para a Sua glória. Eternamente. Como dizem: se o lado avesso do céu já é tão lindo, imagina como será o direito!

Tenho saudades do seu senso de humor. No meu baú virtual achei este email que ele me enviou em 2005.

"O Bola (o cachorro) tá precisando de analista. O perturbado resolveu se apaixonar por um gato macho e ainda criança. Não larga o gato para mais nada, nem para latir para quem passa pelo portão. Vou ter que dar um sumiço nesse bichano antes que o Bola adoeça. Acho que ele confundiu o ditado e entendeu que quem não tem cão casa com gato."

***

Como desmascarar um fofoqueiro

É simples. Se ele fala de todo mundo para você, falará de você para todo mundo. Não tem erro.

O jeito "Farias" de voar

Ele poderia se apoderar facilmente do slogan da Tam. No voo de 8h da manhã, começa dizendo: "Senhores passageiros, aqui é o comandante Farias, bom dia!", até aí, nada demais, mas continua rimando: "Que alegria! Que incontrolável alegria!" A animação do piloto contagia a aeronave e transforma a falta de sorriso, o mau humor e o sono em gargalhada geral. Depois, durante todo o caminho entre Itajaí (SC) e Congonhas (SP), segue gentilmente apresentando aos passageiros as belas paisagens do lado esquerdo e direito da aeronave. Sobrevoamos o mar, passamos por algumas praias famosas, nos deliciamos com a vista privilegiada de um dia ensolarado e com a gentileza do piloto. Um jeito que faz toda a diferença. Tu Farias isso? Tornarias o dia de outro alegre, incontrolavelmente alegre? Fica o exemplo. 

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Morte e Vida Severina

Dia frio. Águas do Rio Itajaí tranquilas. Cenário bem diferente do que há dois anos, quando o rio transbordou e inundou quase toda a cidade catarinense que leva o mesmo nome. Mas o que inundou a cerimônia de entrega da reconstrução do porto nesta manhã foi o paradoxo da morte e vida. Um minuto de silêncio pela morte de Romeu Tuma, senador. Bolo de aniversário para mais um ano de vida do presidente Lula, 65. Fim de cerimônia, anúncio da morte súbita de Néstor Kirchner, ex-presidente da Argentina. Outros 300 mortos em mais um tsunami na Indonésia, e mais de 200 pela cólera no Haiti. O obituário de hoje é extenso, mas muitos celebram a vida, mais um ano, como Lula. Quase comi um pedaço do bolo que fizeram pra ele, mas fui entrar no link ao vivo do jornal. Amanhã, meu pai também sopraria mais uma velinha, a de 51. Mas há quase 4 partiu. Hoje passei num mercadinho aqui de Itajaí, em Santa Catarina, e avistei um torrone. Ele amava torrone. Comprei para degustar amanhã e adoçar um pouquinho da saudade que sinto dele. Amanhã será outro dia, frio, quente, gelado, como na serra catarinense, sei lá. É por isso que as palavras de Tiago são tão sábias e nos servem de alerta:

"Atendei, agora, vós que dizeis: Hoje ou amanhã iremos para a cidade tal, e lá passaremos um ano, e negociaremos, e teremos lucros.
Vós não sabeis o que acontecerá amanhã. Que é a vossa vida? Sois, apenas, como neblina que aparece por um instante e logo se dissipa.
Em vez disso, devieis dizer: Se o Senhor quiser, não só viveremos, como também faremos isto ou aquilo." (Tiago 4, 13-15)

Amanhã, se Deus quiser e permitir, estarei de volta a Brasília, à minha cama, meu sofá, minha geladeira, meu amor.

Boa noite severinos e severinas, com a permissão de João Cabral de Melo Neto!

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Adeus dia velho, feliz dia novo!

Jericoacoara - CE

Muitos esperam 365 dias para virar a página, para tentar colocar em prática planos não concluídos, promessas de mudança não cumpridas, dietas mirabolantes não realizadas. E quando os fogos iluminam o céu, o sentimento é de vida nova, de fôlego novo, de esperança de que tudo dará certo. Aí chega o dia primeiro de janeiro. E o dia 2, e 3, e 31. Aí chega fevereiro, março... junho, julho... E parece que as melhores intenções daquele reveillon foram esmorecendo, escapando pelos dedos, indo por água abaixo. Nos envolvemos tanto com nossa rotina indisciplinada, nossos afazeres intermináveis, nossas atividades repetitivas, que mal temos tempo de sonhar à noite, e quiçá de dia. Aí chega setembro, outubro, e os comerciais já nos lembram que mais um ano está terminando. Passado o dia da criança, os shoppings da cidade já começam a competição pela ornamentação natalina mais bonita, pelo papai noel mais simpático, pelas promoções mais atraentes. E nos damos conta de que o dia 31 de dezembro está chegando e precisamos fazer de novo aquele balanço de fim de ano. Colocar no papel da consciência saldos positivos e negativos, receitas e despesas. O que plantamos, e o que colhemos. No que investimos, e onde lucramos. E isso não diz respeito apenas às finanças. É hora de contabilizar o que valeu e o que não valeu a pena. E o que não vale mesmo a pena é esperar 365 dias para fazer esta auto-avaliação e mudar o que precisa ser mudado. Cada 24 horas nos dão a chance de fazer algo novo e diferente, sem que seja necessário um show pirotécnico no céu. Os dias ficam velhos muito antes que os anos, e com a mesma velocidade se renovam. Cada manhã é um novo sopro de vida, de oportunidade. Cabe a cada um desembrulhar este presente do próprio Deus, sem fazer dele um passado precoce, que só será lembrado no ano novo. Fazendo isso, temos 365 chances a mais de fazer diferente, e não mais apenas aquele sentimento etéreo da virada. Adeus dia velho, feliz dia novo!

Canção da Alvorada
João Alexandre

Fim de madrugada, luz do sol
Marejando o dia que já vai chegar.
Pousa um passarinho na janela:
Lá vem ela, manhã.

E aqui de joelhos eu estou
Contemplando a última estrela.
Cantando a canção da alvorada:
Pra te fazer feliz, pra te louvar,
Pra te reconhecer, pra te encontrar,
Pra ver no sol que nada sou sem tua luz,
Só pra saber que nada sou sem ti, Jesus.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Chi-chi-chi-le-le-le!

Grito de guerra de quem ressurgiu da terra. Os mineiros chilenos encontraram muito mais que um pote de ouro, reencontraram a própria vida. Foi bom testemunhar o resgate histórico que em breve deve estar nas telas do cinema. 622 metros de profundidade por 69 dias não é moleza não. E subir numa cápsula de 53 cm de diâmetro, menos ainda. Que bom que muitos reconheceram que só saíram dali porque Deus permitiu. Que eles se recuperem e testemunhem desse milagre para o mundo inteiro, que se emocionou com o sucesso da operação. E viva o Chile!

A finitude da carne

Somos feitos de matéria irremediavelmente perecível. Perecíveis também são algumas emoções, atitudes e visões de mundo. Adolescente então, é alguém em quem jamais podemos confiar. Suas ideias, muitas vezes, não duram mais que 24 horas, ou duram alguns dias e até meses, mas depois se dissipam facilmente como um monte de pó ao vento. Ainda bem que elas não duram, dão lugar ao amadurecimento, ao crescimento. Mas essas fases de rebeldia adolescente acabam deixando marcas, porque no momento em que acontecem, parecem intermináveis. Só quando passa a tempestade, que molha muito mais aqueles que se preocupam do que quem a provoca, é que nos damos conta da sua finitude. Logo vem o sol, a mudança, e quem sabe, o desejável arrependimento. É certo que alguns esquecem de crescer, não fisicamente, mas mental e espiritualmente. Querem ser eternos inconsequentes. E deixam rastros e sequelas em quem esperava deles uma atitude condizente com a data de nascimento. Palavras desconexas antes de dormir nesta noite quente de Teresina. O calor não parece ser finito por aqui.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Desfamília

Há quem chame de família Buscapé. Há quem apelide de família Trapo. Mas eu vou arriscar um neologismo da nossa língua. Se existe desamor, desafeto, desunião, por que não desfamília? Começo a me afeiçoar pela descoberta, embora soe desagradável aos nossos valores, ou desvalores. Talvez também caiba nesse novo dicionário desamoroso o desabraço, ou o desrespeito, opa, esse já existe. Com desdém, trato nossa língua, a exemplo de quem se trata e destrata em nossa desfamília. Palavras desconexas e mal recebidas. Silêncios desconfortáveis e ausências que parecem abismos. Desconto na língua portuguesa todo o desengano desumano e desleal. Toda a desalegria e toda a aparência. Por falar em aparência, elas já não enganam. Tudo o que parece é. As aparências foram desmascaradas. Rancores antigos, desentendimentos e desfrutes. Todos eles aparecem no topo da lista dos Dez mais. Ou seria Des mais? Ouso apresentar minhas queixas e meu pranto, a despeito do protocolo invísivel, tal qual a linha do Equador. Quanto me custará esse desplante? Serei eu deserdada? Mas essa verborragia está perto do fim. Mais que uma desiludida tentativa de dizer quem somos, direi quem não somos mais. Não somos mais amigos, isso quer dizer desamizade, porque inimizade soa muito forte. Não somos mais solidários, o que significa desinteresse. Cada um por si e nada além de si. Não somos mais engraçados, digo, a condição de desfamília deixa tudo sem graça. Desalmoços, desjantares, desaniversários, des-cinema em casa, des-War, des-pizza de frigideira, des-reveillons. Tudo perde o sentido se somos desobedientes à própria palavra de Deus: Honra pai e mãe... Decidi então fazer um desabafo despretensioso, porém desaforado. Enquanto não se olhar para os lados e enxergar com o coração; Enquanto não se chorar com os que choram e se alegrar com os que se alegram; Enquanto não se despir das vaidades e mais vaidades, afinal tudo é vaidade; Enquanto isso, desperdício de tempo é viver. Porque viver sem amor é desviver. Mais que isso, é desvanecer aos poucos, é desistir. É destruir qualquer possibilidade de se dar, de se importar, de juntar os cacos e formar de novo uma família de verdade, e de fato. Vivemos num tempo em que destroços podem ser reciclados, basta fazer uma coleta seletiva. Separar os sentimentos perecíveis e desprezíveis, dos sentimentos nobres e saudáveis. Reter o que é bom, essa é a receita, não de bolo, mas de convivência. E a convivência implica em muito mais do que conveniência. Ajudar quem precisa de ajuda pode ser inconveniente numa noite de sono, num sábado, numa tarde de sol ou de chuva. Mas convém fazer o bem, não importa a quem. Permitam-me a frase desoriginal. O que se vê por todo lado são guerras de egos, de emoções, de remorsos. Acabar com essa guerra fria e destrutiva e mudar esse destino desatinado depende de coisas como um sorriso sincero ou um ombro amigo. Depende de dar fim às murmurações e lugar às palavras que edificam. Depende de estender a mão, o teto, a cama, a comida, a quem não tem. Depende de afogar mágoas amarguradas e trazer à tona as delícias de uma grande família. Com defeitos comuns e toleráveis, mas que não ultrapassem o limiar de respeito e dignidade do outro. Que haja iniciativa dentro de cada coração, antes que a desfamília presencie uma despedida sem volta. Eis o desafio.

Escrevi este texto em 2008 e, de lá pra cá, quase nada mudou.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Presente de fim de tarde

Mal acabei de postar o texto abaixo quando ela resolveu despencar. Corri para fechar as janelas, não antes de deixar o vento refrescar um pouco o forno que virou esta casa. Fiquei contemplando pelo vidro essa paisagem tão esperada, e seus contratempos. Em poucos minutos a água subiu invadindo calçadas, inundando ruas. Também em poucos minutos, como num passe de mágica, a grama que tinha virado palha se mostrou verde de novo. As trovoadas estremeciam o prédio e a luz chegou a falhar em alguns momentos. Nada que me impedisse de agradecer a Deus por esta bênção refrescante neste fim de tarde. Que o cinza do céu permaneça por mais um pouco. É o desejo de uma brasiliense carente, de chuva.

I have no idea

Sei que estou em falta com o blog, comigo mesma, com minhas ideias que vêm e vão com a mesma facilidade. Nestes dias de calor cada vez mais forte, não consegui parar por aqui para falar sobre nada. Tanta coisa aconteceu nessas últimas semanas, tantos sentimentos me invadiram nesses últimos dias. Esperava pela chuva, mas a chuva não veio. Apenas fingiu que veio numa manhã de sábado, e foi embora, sem deixar vestígios. Os termômetros variam entre 31º e 32º, mas disso, todo mundo aqui já está cansado de saber. Bem, apesar dos meus 99% de transpiração, falta-me o ponto percentual solitário da inspiração para escrever algo digno de ser lido. Depois eu volto.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Chuva...de terra...!

Quando o céu parecia anunciar a boa nova, a solução para parte dos nossos problemas, a alegria para nossos pulmões ressequidos, nada mais era que alarme falso. O que parecia ser nuvem, era névoa e terra, pura terra no ar. A coloração do céu ficou estranha, rosada, cobriu toda a esplanada dos ministérios. O vento forte trouxe a poeira estocada em toda parte. Hoje estou tendo uma visão panorâmica desse cenário, aqui do comitê do Palácio do Planalto. Mas espero ansiosa, assim como todos os colegas, ver chegar aquela tempestade, não de pó, mas de chuva, para encharcar a alma. Dizem que ela já está por aí, mas até agora não tive o prazer de sentir aquele cheirinho de terra molhada. Daqui a pouco espero voltar com boas notícias, e molhadas.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

A Grande Belém

Ai, que dor na costa! Se você ouvir esta frase ou se alguém te oferecer açaí com farinha e camarão, risoto de jambu, maniçoba ou suco de cupuaçu com leite, ou se alguém, simplesmente, for muito gentil com você, sorria. Não, você não está na Bahia, mas em Belém, na Grande Belém do Pará. Muito se ouve falar em Grande São Paulo, Grande BH, Grande Curitiba, Grande Porto Alegre... Uma mania de grandeza só. Mas subindo um pouco mais o olhar no mapa, está a Grande Belém. Região Metropolitana que não perde para nenhuma outra. Trânsito caótico, muitas praças, avenidas, mercados, camelôs, feiras, shoppings. Prédios antigos misturados aos modernos. Terra de muita gente e de muita fartura, que o diga o Ver-o-Peso. De artesanato a porções do amor. De galo engaiolado a sacos com mil tipos de farinha, tudo a granel. O maior mercado a céu aberto da América Latina, com mais de 380 anos, é assim, tem tudo para todo gosto. Pena que, de passagem por lá, só pude sair com um imã de geladeira, por estrita falta de espaço na mala. Não fosse isso, teria voltado com alguns litros bem medidos de castanha e tapioca. A Estação das Docas, com seu palco deslizante, também é sensacional. Bom lugar para pegar uma brisa, ainda que morna, no fim de uma tarde escaldante. Lugar para ir com os amigos, para jogar conversa fora, ou para namorar. Não pude escolher nenhuma das opções, não desta vez. Mas valeu a pena conhecer um pouquinho da terra de grandes amigos, que fazem jus a este grande Pará, acolhedor, hospitaleiro, cheio de calor humano, a despeito do calor do sol. Agora já sei de onde vieram estas preciosidades que desembarcaram de mansinho no Planalto Central puxando o 's' e o 'n'. Estou para ver-o-peso de uma amizade como essa.




Ver-o-Peso, setembro de 2010

Verso da semana

"Não temas, crê somente." (Marcos 5-36b)

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Notícias em tempo irreal

Quanta coisa aconteceu nesses últimos dias... Aqui no blog, não tenho conseguido seguir a linha de produção industrial do tempo real. Sigo num tempo paralelo, irreal, manufaturado, quase que artesanal. Longe do imediato, instantâneo. Sem manchetes do dia, mas talvez da semana. Faço aqui um parênteses. Enquanto finalmente consegui sentar para atualizar o blog, toca o interfone. Quem é? Sou recenseadora do IBGE. Pode subir! A moça, ágil com a maquininha, não quis nem entrar. Ofegante de tanto subir e descer escadas fez meia dúzia de perguntas e se foi, sem sequer aceitar um copo d’água. Pudera, entrevistar milhões de brasileiros não é fácil não. Fico pensando qual será o retrato do nosso país depois desse resultado. Crescemos em gênero, número e grau? Espero que tenha crescido, de fato, nossa dignidade. A propósito, me auto-declarei parda. Fecha parênteses. Continuo com os principais fatos da semana. Na última quarta-feira, conheci um dos cartões postais mais impressionantes da minha história até agora. Me encharquei dos pés à cabeça só de chegar perto das Cataratas do Iguaçu. A força daquelas águas, mesmo em tempo de estiagem, já foi capaz de lavar a minha alma ressecada dos últimos meses. Que lugar lindo, grandioso, que demonstra um pouquinho da criação de Deus. Ironia chamarem o ponto alto da visita de Garganta do Diabo. Na trilha de 1.200 metros pude ver muitos velhinhos corajosos, porém tentando se proteger com suas capas de chuva amarelas. Muitos hermanos do lado argentino, que vieram dar uma espiada do nosso lado. Um bote lá embaixo cheio dos turistas mais aventureiros, e um helicóptero sobrevoando. Opção de passeio pela bagatela de uns 170 reais por pessoa. Mas me contentei com os mirantes ao longo da trilha, até porque, não tinha tempo para essas regalias. Voltei rápido para trabalhar com a equipe. Um seminário de igualdade de gênero nos aguardava. Foi quando ouvi o presidente da república perguntar aos seus ministros se eram capazes de lavar suas meias e cuecas, arrancando risadas acanhadas da plateia masculina e aplausos da feminina. Este seria o primeiro de 5 eventos em Foz. Haja fôlego. Fechei 4 matérias e me mandei no dia seguinte para Porto Alegre, onde fui bem recebida pela chuva. De volta a Brasília, mantive o fôlego para cantar no coral, no dueto, e onde mais fosse preciso para agradecer a Deus por tudo o que Ele é. Agenda cheia essa. Trabalhei no feriado. E não só trabalhei, como madruguei no desfile de 7 de setembro. Às 6 e meia da manhã, lá estava eu na Esplanada e às 12h30, entrando ao vivo no jornal. Piegas ou não, sempre me emociono ao ver a esquadrilha da fumaça. Lembra minha infância, quando era levada pelos meus pais patriotas para assistir ao desfile. Hoje eu entrevisto esses pais que levam sua cria para conhecer de perto as Forças Armadas. Também entrevistei duas meninas, de 7 e 9 anos. Elas não sabiam muito bem para quê estavam ali, mas no futuro, quando se lembrarem daquele coração desenhado de fumaça no céu, saberão. Bem, trabalhei na quarta também. Fiz matéria sobre a federalização de crimes contra os direitos humanos. E nesse mesmo dia, o Irã resolveu dar uma chance a Sakineh, revendo sua pena. Esse também foi o dia da reinauguração da fonte da Torre de TV, totalmente reformada. Dizem até ser a maior da América Latina. Presente para a cidade. Enfim, consegui uma folga e estou aqui. Isso que dá ficar tanto tempo sem aparecer: Texto longo, muita informação, pouco conteúdo. Meus editores que não o vejam.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Chove Chuva!

Inauguro este mês no blog perguntando: Cê tem bruxove? Digo, Setembro chove? Quantas vezes já cai nessa pegadinha quando criança e dizia não. Não tenho bruxove! Mas hoje, respondo: espero que sim! Afinal, ninguém mais aguenta a secura que nos aflige a mais de 100 dias. Mas eu fui privilegiada esta semana. Pensei que não fosse respirar fundo aquele cheirinho de terra molhada tão cedo, mas aqui estou na molhada Porto Alegre. Nunca fiquei tão feliz em ver um asfalto ensopado e poças na rua. Prometo levar para Brasília um pouquinho dessa umidade, para sarar os pulmões dos meus conterrâneos. Quero crer que em setembro chove, sim senhor, e em breve vamos ter todos aqueles transtornos típicos da chuva. Lama, sombrinha quebrada, fim da escovinha, mas que delícia respirar um ar úmido. Vale todo o sacrifício. Até quando começarmos a clamar pelo céu azul sem nuvens de novo. Eis nosso maior defeito, reclamar de tudo, sempre. Por enquanto o protesto é este: Chove Chuva! Chove sem parar!