Foi amor à primeira sílaba. Quando descobri as orações e períodos, os textos e contextos, então, nem se fala. Me apaixonei perdidamente. Paixão por contar a vida, por imortalizar os fatos, por narrar um cotidiano nada previsível. Esse é o caso antigo que mantenho firme desde que me revelaram este tão nobre ato de escrever.
Quem sou eu
- Ana Gabriella Sales
- Jornalista, casada e amante das palavras. A pernambucana mais brasiliense de todas.
quarta-feira, 11 de maio de 2011
Tempo, tempo
O mesmo tempo que desbota as cores e murcha as flores amadurece os frutos. Passam os anos e, com eles, passamos. Passamos por estradas floridas, por caminhos tortuosos, por momentos tristes e felizes, que juntos pintam a vida com tons de uma rica aquarela. Rica em experiência, em aprendizado, em lições que nos amadurecem, tal qual os frutos. Se há tempo para tudo, hoje é tempo de festejar. Mais um ano vivido, mais experiências acumuladas, mais um dia 11 de maio para colecionar na linha do tempo. Os bebês que crescem, as folhas que caem e as rugas que aparecem são provas de que ele não para. Segue com a serenidade do relógio que, alheio à nossa pressa, mantém o ritmo. Mas hoje vou viver cada minuto sem olhar para o relógio. Vou contemplar o sol que brilha lá fora, o azul do céu que me encanta nessa época do ano, o espelho que me revela uma nova mulher, mais velha. Paradoxo do tempo, que nos permite estes trocadilhos. Só não nos permite voltar, mas avançar com fé, esperança e amor. Este foi o caminho que escolhi. Agradeço a Deus pelos pais que Ele me deu, que à sua maneira, me conduziram e me fortaleceram. Pela minha mãe querida, que me suportou no ventre e hoje tantos anos depois, me suporta no coração, sempre com palavras de amor e encorajamento. Pelo meu marido, amor e amigo que divide comigo cada segundo. Pelas minhas irmãs que sem querer querendo me ensinam tantas coisas. Por cada um que passou, e que permanece em minha vida, fazendo dela um retrato colorido que o tempo não desbotará. Viva o tempo, viva a vida, viva!
segunda-feira, 9 de maio de 2011
Chega de ócio
Depois de uma semana, a constatação óbvia: ócio cansa. Talvez seja o costume de não parar nunca, de estar sempre na correria, de conviver diariamente com dead lines cada vez mais apertados. Não ter o que fazer é, no mínimo, chato. Um verdadeiro convite ao sono e à preguiça incontida. Bem que tento me livrar deles, mas me pegam de jeito. Vou tentar aproveitar melhor o resto das minhas doces férias em casa, para que não se tornem insossas, ou, pior, amargas. Espero que minha inspiração também deixe de preguiça, porque há muito me abandonou. Quarta-feira fico mais velha. Quem sabe isso me dê uma injeção de ânimo. Afinal, nunca lamento por um ano a menos, mas celebro um ano a mais. Verdadeiro presente nesse mundo louco.
quarta-feira, 4 de maio de 2011
Ócio
Passar férias em casa não é tão ruim assim. Acordar ou dormir na hora que quer, ler, refletir, sair para fazer uma caminhada sem pressa, se livrar dos papeis velhos e das roupas que só ocupam espaço, inventar uma receita, olhar para o céu no fim da tarde e para o movimento na rua, visitar parentes e amigos que há tempos não se via, planejar a próxima viagem, sonhar, além, é claro, do filminho com pipoca. A vida pacata dá um descanso para o corpo e para a mente que, compulsoriamente, fogem da rotina. Eu já me acostumei com este ritmo que segue o meu compasso. Sem metrônomo, sem regente. Improviso meu tempo e faço minha escala. Folga sem restrição. Direito irrevogável de todo trabalhador. Agora, se me dão licença, estou ocupada, preciso praticar o ócio. Até!
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Marco zero
Meu primeiro dia de férias foi bombardeado pela notícia da década. Bin Laden está morto. Como não lembrar daquele dia de manhã quando eu, gripada, faltei a aula e resolvi ligar a TV no exato momento em que a primeira torre gêmea estava em chamas. Ainda sem entender, mantive os olhos fitos na imagem, quando, poucos minutos depois, um avião invade a segunda torre. O ataque estava claro. Não era acidente, como podíamos imaginar num primeiro momento. Em dezenas de filmes, Nova York já havia sido destruída de várias maneiras. Mas não assim, ao vivo e a cores, sem ficção, e com uma dose extra de terror. Hoje, neste dia 2 de maio, acordo com a notícia da morte de Osama, autorizada por Obama, quanta ironia. O plano que vinha sendo arquitetado há 8 meses pegou o líder da Al Qaeda desprevenido. E o governo norte-americano ainda diz que ele usou uma de suas mulheres como escudo na mansão em que foi encontrado. Não é a toa que manchetes pelo mundo grifam: 'Covarde até o fim'. Mas é hora de cautela, porque ele deixou 23 filhos e uma legião de seguidores radicais extremistas. É considerado mártir da nação muçulmana e guerreiro santo árabe. A euforia dos estadunidenses logo se dissipou. Caiu a ficha de que este é o marco zero. Não onde erguem-se novas torres gêmeas, símbolos de poder, mas frágeis como uma nuvem de poeira. O marco de que a luta contra o terror ainda é patente em todo o mundo. Mundo que vive assustado. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.
"Buscai ao SENHOR enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto." Isaías 55:6
"Buscai ao SENHOR enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto." Isaías 55:6
sexta-feira, 29 de abril de 2011
Pompa e circunstância
Há uma semana não se fala em outra coisa. A agenda setting da mídia esteve tomada por um assunto tão real quanto um conto de fadas. Real não de realidade, mas de realeza. E nós, republicanos e plebeus, acompanhamos daqui como se estivéssemos assistindo a mais um desenho da Disney. A princesa e seu príncipe encantado. A rainha má, o sogro traidor. Eu dizia que seria o casamento da lady Kate. Mas para a inglesa, apesar de plebeia, "não lhe faltava-lhe o glamour", como o jargão da comediante brasileira. Convenhamos que a princesa é, de fato, linda e glamourosa. A jovem que caiu na graça do povo agora vai viver a eterna disputa dos paparazzi. Aqueles mesmos que ajudaram a abreviar a vida de sua sogra. Mais um capítulo da monarquia inglesa começa. Me lembro do plebiscito para definir se o Brasil seria monarquia ou continuaria com o regime republicano. A maioria esmagadora votou na república, sem dar ouvidos à campanha 'Vote no Rei', de resquícios da família imperial. Fico imaginando quem seria o rei de mais de 190 milhões de súditos. Mas isso ficou só na minha lembrança de infância. Não nos caberá esta história. E eis a dica para todos, republicanos ou não, plebeus, cidadãos: Casamento bonito é casamento feliz. A despeito de toda pompa, a circunstância é o amor.
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| Foto: Folha.com |
quarta-feira, 20 de abril de 2011
Histórias made in China
A viagem à China foi reveladora em todos os sentidos. Pela primeira vez, adiantei 11 horas do meu relógio. Literalmente viajei no tempo, como que de volta para o futuro. Um futuro que eu acreditava estar tão distante, e estava. 22 horas de vôo, 30 horas de viagem no total. Eis o primeiro desafio a vencer. Às 6h30 da manhã de sábado chegamos a Beijing. Ideogramas por todos os lados queriam me dizer alguma coisa. Queriam me alertar que eu estava do outro lado do mundo. Que meu alfabeto era insuficiente para compreender esse universo infinito da escrita chinesa. E eu, respeitosamente, tive que abdicar do meu caso antigo com as palavras para viver uma aventura de novos significados. Estar na China para mim significava mais que uma experiência inédita, uma oportunidade para a vida e para a carreira.
Dia 1
No primeiro dia, não vi o céu da cidade. A poluição e a areia vinda da Mongólia se encarregaram de encobri-lo. Mas por trás da névoa, era possível visualizar uma metrópole gigante. Avenidas gigantes, prédios gigantes, engarrafamento e por aí vai. Tudo muito limpo e moderno. No trânsito, carros, bicicletas e gente se entendiam em meio às buzinas. O prédio da CCTV, a TV estatal chinesa, foi o que mais me chamou atenção neste primeiro momento, pela arquitetura ousada. Uma hora até o hotel. Lá nos acomodamos e fomos fazer um reconhecimento da área. O cansaço era grande, mas nada de dormir, pois a equipe precisava se adaptar ao fuso horário. Vale ressaltar que todos os dias em Pequim fomos assessorados pela nossa intérprete Vitória, uma chinesa de 21 anos muito querida, que estuda português na faculdade e vai trabalhar no Brasil por 4 anos a partir de 2012. Fofa é uma das palavras que a definem, além de muito prestativa, eficiente e simpática. Neste dia aproveitei para conhecer logo a Cidade Proibida. Morta de sono, só andei até o pavilhão do palácio principal do imperador, onde ele vivia com as 3 mil concubinas... Saí de lá quase guinchada pela Vitória. Nem consegui atravessar a rua para a praça da paz celestial, aquela onde ocorreu o massacre em 1989. Para almoçar, restaurante brasileiro. Nada melhor para enganar o coração, que começava a manifestar os primeiros sintomas de saudade. Mas ainda havia muito chão pela frente. Muito mesmo. Até 19 horas de trabalho por dia com direito, muitas vezes, a apenas uma refeição. Só 3 ou 4 horas de sono e muitos deslocamentos. Afinal, foram 4 cidades, de norte a sul da China. Isso tudo repleto de dezenas de acordos bilaterais, anúncios de investimentos bilionários de multinacionais, discursos e mais discursos, em russo, chinês, inglês e porque não, o português da presidenta. Tudo devidamente registrado em offs para TV e rádio e passagens gravadas com ajuda de muita maquiagem para disfarçar as olheiras. Esta viagem me fez ver como minha saúde estava em dia, senão talvez não agüentaria este batente. Mas tenho certeza de que Deus me sustentou em todos os momentos, que conto um pouco a seguir.
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| Prédio da CCTV ao fundo. Quem dera que a EBC fosse assim... |
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| Flashes da Cidade Proibida |
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| Flashes de Pequim |
Neste dia dei outro giro pela cidade e descobri, mais descansada, algumas manias chinesas. Pigarrear, escarrar e cospir no chão é uma delas. Não que os homens no Brasil também não façam isso, mas lá é demais. O próprio taxista limpava a garganta toda hora e cospia pela janela. Os taxistas também fumam dentro do carro. Como a minha amiga Marcia Chang já tinha me alertado, parece que todos os homens chineses fumam. E os guardas chineses são intragáveis. Se eles dizem não é não e não adianta tentar argumentar. Agora a parte boa. Lá as pessoas ainda andam muito de bicicleta, principalmente aquelas elétricas. Os chineses também gostam da cidade toda iluminada à noite. Prédios, árvores, fachadas, tudo muito colorido. Além de muitos telões pelas ruas. E duas das coisas que mais me agradaram: água mineral de graça no quarto do hotel (duas garrafinhas por dia) e os bancos abrindo de domingo a domingo, de 8h da manhã às 17h. O Brasil podia copiar isso, não? E pelas ruas, verdadeiros empórios de muitas marcas famosas, totalmente originais, de Dolce & Gabbana a Adidas e Apple, a despeito das falsificações que encontramos no Mercado da Seda. Ah, as passarelas em Pequim também têm escada rolante. Uma ótima ideia que também agrada aos preguiçosos ou cansados de tanto andar, como eu. Mas o dia estava só começando. Às 17 horas de pleno domingo tinha reunião marcada no hotel da presidente com o pessoal do Itamaraty. Fomos pegar as credenciais e detalhes da cobertura e nos deparamos com um briefing de uma hora do ministro Mercadante, aliás, o que mais falou nesta viagem. Lá encontrei os colegas guerreiros de todos os veículos, que também entrariam nessa jornada. Sem hora para comer, dormir, mas com hora certa para estar a postos no ônibus da imprensa, senão seria impossível driblar a segurança. Acho que esta foi a última noite que consegui dormir 8h seguidas. Depois, caiu pela metade.
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| À direita, passarela com escada rolante. |
Percebi que se eu fosse narrar aqui dia a dia, ninguém teria paciência para ler. E longe de mim deixar o leitor do blog cansado desta maratona como eu fiquei, então recorro às fotos.
Sanya – o 'Havaí' chinês
Depois de 3 horas de vôo, Chegamos a Sanya, na província de Hainan, ilha no sul da China, mais conhecida como o Havaí chinês. O aeroporto ficava distante em 1 hora do local onde ainda tinha que pegar a credencial (mais uma). Depois de mais um briefing de uma hora, fomos liberados 23h para ir para o hotel, sem jantar, claro. Chegando lá me deparo com um resort chiquérrimo, um apartamento maravilhoso, com uma banheira maravilhosa e quem disse que podia aproveitar? Não. Tinha que mandar matéria.
Mas a propósito, você já foi a uma cidade de praia e não viu a praia? Comigo foi assim. Vi de longe, e registrei em foto, porque era impossível sair do quartel general, digo, do resort onde acontecia a cúpula dos BRICS. O comitê de imprensa foi nossa acomodação por um dia. A última coletiva acabou 22h30 e lá fui de novo para meu hotel chiquérrimo, confortável, maravilhoso, sentar na mesa de computador e mandar matéria. Será que essa foi a vida que escolhi? Acho que quando o calo aperta, os colegas fazem essa pergunta, afinal, todos, sem exceção, estavam arrasados. Resumo da história: posso entrar para o Guiness: dormi às 3h para levantar às 5h e estar no lobby do hotel às 6h. Rumo a Bo’Ao, cidade a duas horas de Sanya. Como aquele repórter que sobreviveu ao tsunami no Japão, eu sobrevivia à enxurrada de trabalho.
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| Os sobreviventes |
Em Bo’Ao a passagem foi relâmpago. Só entramos e saímos do hotel do Fórum Econômico, rumo ao aeroporto para seguir para Xian, a cidade mais poluída que tenho notícia! Cheiro insuportável e uma névoa espessa que provém da queima de carvão, fonte de energia da cidade. Mas ainda bem que foi só um dia, rumo à oitava maravilha do mundo que está lá. Foi impressionante conhecer de perto os guerreiros de terracota, um dos maiores sítios arqueológicos do mundo. Melhor mostrar que falar.
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| Xian |
A volta para Pequim foi no mesmo dia, e me convenci que a guerreira, não de terracota, mas de carne e osso, era eu. Já haviam se passado 10 dias de peregrinação e cobertura. Agora só me restava agradecer a Deus por tudo ter dado certo e aproveitar o restinho de tempo para conhecer mais uma maravilha do mundo, é claro, a Grande Muralha, the Great Wall. Vitória, que já virou minha amiga, foi a companhia desta missão fantástica. Escolhemos o trecho de Badaling, onde tem um teleférico para ajudar na subida, e que subida! Meus olhos quase não acreditavam no que estavam vendo. A única pergunta que me vinha a mente era: como seres humanos foram capazes de construir uma coisa gigantesca dessas? Afinal, são quase 9 mil km de extensão, cuja construção se arrastou por séculos, desde 220 a.C, diz a história.
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| Um pedacinho desta grandiosidade |
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| Teleférico nas alturas |
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| Vista impressionante |
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| I climbed the Great Wall! |
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Mundo velho, mundo novo
Chegou a hora. Malas prontas, mochila made in China, e tudo o mais. Daqui a pouco embarco para este mundo velho, para mim, totalmente novo. A má notícia é que não vou poder atualizar o Blog até a volta, lá pelo dia 19, porque uma amiga me lembrou que lá todos os produtos Google são bloqueados. Se eu achar uma brecha, quem sabe! Mas pretendo postar as fotos assim que possível. Obrigada pelo carinho e apoio de todos nessa empreitada, especialmente meu amor e minha amora (mãe)rsrs. Não vai ser fácil, mas vai ser inesquecível. Faço uma escala em Paris e depois de um total de 30 horas lá estarei do outro lado do mundo. Mundo velho, mundo novo, mundo grande... Tudo indica que devo passar por quatro cidades: Pequim, Sanya, Bo Ao e Xian. Vou com a cara e a coragem. Não temo, creio somente.
Até mais!
Até mais!
sábado, 2 de abril de 2011
China, aí vou eu!
No ano passado, ganhei da minha mãe de aniversário um livro que narra as histórias de uma repórter brasileira na China. Mas eu jamais imaginaria que dentro de 11 meses esta repórter seria eu. Eu, Laowai, estrangeira na grande República Popular da China. Recebi a notícia desta 'missão especial' por telefone em meados de março e o embarque já é semana que vem. Muita coisa para planejar, aprender, apurar, pesquisar. Afinal, não é todo dia que se vai ao outro lado do mundo. Na bagagem, meu maior desafio profissional até então. Na cabeça, mil e uma expectativas, responsabilidades, check lists. Esta noite, mal consegui dormir com tanta coisa borbulhando na mente. Já estava entrando pela madrugada daqui como se estivesse em plena luz do dia lá. Vou a Pequim cobrir a que até agora é considerada a visita de Estado mais importante da presidente da república. Não é por menos, já que a China se tornou a maior parceira comercial do Brasil. Aliás, ela é maior em tudo, em população então, nem se fala. Serei apenas mais uma formiguinha em meio a 1 bilhão e 300 milhões de habitantes. Nem acredito que estarei bem perto da grande muralha, do ninho do pássaro, da cidade proibida. Mas tenho certeza de que com com Deus à minha frente, me guiando e capacitando, vou vencer mais este desafio. E depois de enfrentar mais de 30 horas de viagem, certamente abdicarei daquela ideia de que o mundo é pequeno. Porque não é. Nós é que somos. Espero encurtar esta distância contando aqui do blog as experiências em Beijing. Até lá!
terça-feira, 29 de março de 2011
Despedida
Há alguns meses fui convocada para ir às pressas para São Paulo de madrugada, para acompanhar o quadro de saúde do então vice-presidente da República. Ele acabara de sofrer um infarto e todos pareciam crer que dali não passaria. Permaneci por dois dias em frente ao Hospital Sírio Libanês e o pior boletim médico dizia que seu quadro era estável. As fotos oficiais da presidência também sempre mostravam um sorriso firme, ainda que ele estivesse sobre o leito. No início do ano, voltei a São Paulo, quando Alencar recebia uma condecoração, e estava lá firme, se desculpando por estar sentado numa cadeira de rodas. Ali ele fez sua despedida em público. Disse que tinha fé e que fosse feita a vontade de Deus. Hoje esta vontade se cumpriu. Depois de anos de luta, de vitórias, de dores, ele partiu. Agora, a exemplo de Tancredo, será velado no Palácio do Planalto, cedido pela presidência. Mas nada se leva desta vida. Espero que ele tenha conquistado, em vida, o maior tesouro que se pode ter, que é a vida eterna, ao lado de Deus. Adeus, Alencar.
Minhas últimas reportagens sobre Alencar
http://www.youtube.com/tvnbr#p/search/19/-mjlGG8YLuY
http://www.youtube.com/tvnbr#p/search/3/Qo6mV38Wm_4
http://www.youtube.com/tvnbr#p/search/0/Q_82CuobfdQ
http://www.youtube.com/tvnbr#p/search/5/jP2JpXU3adI
No Blog
http://casoantigo.blogspot.com/2010/11/boletim-medico.html
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http://www.youtube.com/tvnbr#p/search/19/-mjlGG8YLuY
http://www.youtube.com/tvnbr#p/search/3/Qo6mV38Wm_4
http://www.youtube.com/tvnbr#p/search/0/Q_82CuobfdQ
http://www.youtube.com/tvnbr#p/search/5/jP2JpXU3adI
No Blog
http://casoantigo.blogspot.com/2010/11/boletim-medico.html
domingo, 27 de março de 2011
Sonhar é um bom começo
Poucas coisas me emocionam tanto quanto colação de grau. O que para muitos pode parecer apenas uma formalidade chata, piegas, para mim é uma passagem necessária para fechar um ciclo, concluir um projeto de vida, mostrar êxito naquilo que se propôs a fazer. Podem ser até desconhecidos de beca, mesmo assim é difícil segurar as lágrimas. Eu bem que tento, engulo o choro, solto um sorriso para disfarçar, mas não tem jeito. E quando conheço a história e o esforço do formando para chegar até ali, então... pode me trazer um lenço, porque não vou aguentar. Semana passada fui a uma colação da UnB. Mais uma para minha coleção. Com direito a confetes e serpentinas, balões de gás e todo o kit espalhafatoso que a ocasião pedia. Mas fiquei observando o rosto das pessoas na plateia. Das mães, dos pais, dos avós, e vi que não estava sozinha. A emoção era a regra, sem exceção. Passava um filme na cabeça de cada um, cujo título é superação. Como é bom terminar o que se começou. Vencer as dificuldades, e no fim ver que tudo valeu a pena. E é bom saber que todo dia é dia de começar. Porque como já dizia o poeta, os sonhos não envelhessem. Qual o seu sonho?
Viva!
Brotou a rosa. Linda, colorida, cheirosa, brotou. Viva a rosa! Hoje, foi arrancada da roseira para colorir e perfumar o dia de alguém muito especial. A singeleza de suas pétalas foi acariciar o rosto e buscar um sorriso deste alguém. Uma nobre missão. Ela espera encontrar aquele sorriso de sempre, mesmo em meio à lágrima ou à dor de outrora. Um sorriso de paz, aquela que excede todo o entendimento. Um sorriso de amor à Deus e à vida. Um sorriso de garra que ajuda a enfrentar tudo. Um sorriso de gratidão. Viva a vida! Mais um ano de vida! Viva a tia Virgínia!
Hoje queria te entregar esta rosa pessoalmente, junto com um abraço apertado. Mas envio todo o meu amor real, aquele que tenho por você desde pequenininha, por este meio virtual. Já te disse, e não me canso de dizer, que você é um testemunho de perseverança e força. Te amo!
O SENHOR te abençoe e te guarde;
O SENHOR faça resplandecer o seu rosto sobre ti, e tenha misericórdia de ti;
O SENHOR sobre ti levante o seu rosto e te dê a paz.
(Nm 6:24-26)
Texto em homenagem ao aniversário da minha tia querida, Virgínia Amaral Sales.
sábado, 26 de março de 2011
Ao sabor do vento
As nuvens chegaram logo para encobrir o céu nesta manhã. Não se contentaram em observar de longe o dia lindo que nos acordava neste primeiro sábado de outono. O sol permanece, por ora. Ainda não sucumbiu à chuva. Mas, aos poucos, o tempo está fechando, enquanto o vento leva para longe as folhas caídas da estação. E também sopra com força meu pensamento. Quando eu aterrissar, volto aqui para contar que sabor o vento tem.
sábado, 19 de março de 2011
Um dia memorável
Não há como dizer que foi um dia qualquer. Nem um encontro qualquer. A primeira mulher na presidência do Brasil e o primeiro presidente negro dos Estados Unidos. Ambos ali, a apenas alguns metros de distância da legião de jornalistas famintos por notícia. Mas uma notícia já estava dada: o encontro da democracia. Democracia que traz também divergências, interesses, barreiras comerciais, reformas tardias, que, como disse Dilma, refletem um mundo antigo. Obama andou, se portou e falou com a mesma serenidade que conheci à distância, pela TV. TV por onde agora dou a notícia. Ele chegou pontualmente às 7h30 da manhã com seu 'pequeno' avião de 70 metros de comprimento, o Air Force One. Acenou e desceu com a família. Até a sogra veio. No Palácio, chegou por volta das 10h20. Passou em revista à tropa, subiu a rampa calmamente, e lá no topo, Dilma, elegante como nunca, segundo opinião unânime de todos que consultei. Aproveitei a oportunidade e a brecha quase impossível entre uma câmera e outra para gravar uma passagem na frente dos dois chefes de Estado. Não era uma matéria qualquer. A declaração à imprensa atrasou em quase uma hora, mas pelo menos ali havia cadeiras suficientes para acolher os repórteres tupiniquins e aos sobrinhos do tio Sam. Neste dia memorável, com tantos flashes, a popularidade de Obama foi a 100, embora esteja abaixo de 50 pontos no seu país. Só se fala disso em todos os jornais. E também se fala no ataque autorizado pelos EUA à Líbia. A guerra começou, em nome da proteção aos civis líbios. O Brasil se absteve nessa decisão. O que seria melhor? Vamos ver no que isso vai dar. Fato é que este dia memorável agora está devidamente guardado e gravado eu em meu arquivo. Unforgettable.
Clique para assistir a reportagem: http://www.youtube.com/tvnbr#p/u/7/wpbCTMKKb7Q
Clique para assistir a reportagem: http://www.youtube.com/tvnbr#p/u/7/wpbCTMKKb7Q
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| Ichiro Guerra/PR |
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| Roberto Stuckert Filho/PR |
quinta-feira, 17 de março de 2011
Shakira no Palácio
De roupa preta, saltão e loiríssima, Shakira Mebarak acaba de chegar ao Palácio do Planalto. Confesso que nunca tinha visto seu sobrenome. Coisa de formalidades de agenda presidencial. Mas fato é que ficamos mais de uma hora aguardando a chegada, atrasada por conta da própria Agenda da presidente. Melhor seria se eu estivesse de 'pies descalzos', porque custou ficar em pé esse tempo todo. Depois que a Shakira saiu da Colômbia para o mundo, costumo dizer que ela troca de cabelo como quem troca de roupa. Assume mesmo as madeixas, sejam negras, vermelhas, com dread, de trancinhas ou loiras. O que mais me interessa na celebridade é a voz exótica, que, particularmente, gosto muito. Mas claro que os comentários gerais que ouvi por aqui foram: 'Ah, como ela é magra e baixinha!' 'Que cabelo feio, crespo, esticado... etc'. Inveja mata mesmo... rs Semana que vem quero ver o que a repórter do CQC, que também veio para cá com seu terninho mal cortado e de tênis, dirá. Shakira entrou rapidamente e com um sorrisinho tímido. Só parou para tirar foto com um menino, filho de uma funcionária, que pediu para ela com todas as letras - Sharira, tira uma foto comigo? - quebrando o silêncio. Mas alguns passos depois, o elevador já estava a sua espera, e foi-se. Neste momento está em audiência com a presidente. Vamos ver o que sairá de lá, desta agenda 'Loca'!
>>Atualização: O encontro foi rápido. Logo Shakira desceu para falar com os jornalistas. Ela doou um violão autografado para ser leiloado por programas sociais no Brasil e falou sobre a fundação latino-americana da qual é ativista, voltada para o desenvolvimento de crianças carentes de 0 a 6 anos. Viu, não basta ser pop, tem que se preocupar. Até!
Clique aqui para assistir a reportagem: http://www.youtube.com/tvnbr#p/u/16/P7ZgOhJaag0
>>Atualização: O encontro foi rápido. Logo Shakira desceu para falar com os jornalistas. Ela doou um violão autografado para ser leiloado por programas sociais no Brasil e falou sobre a fundação latino-americana da qual é ativista, voltada para o desenvolvimento de crianças carentes de 0 a 6 anos. Viu, não basta ser pop, tem que se preocupar. Até!
Clique aqui para assistir a reportagem: http://www.youtube.com/tvnbr#p/u/16/P7ZgOhJaag0
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| Ichiro Guerra/PR |
quarta-feira, 16 de março de 2011
Estoy Aqui
Mais um fim de tarde prateado na Esplanada. Os vidros furtacor dos ministérios refletem o vai-vém de carros e ônibus que encerram mais um expediente. A noite cai e eu continuo aqui, diante das cúpulas do Congresso, com a vista privilegiada do comitê de imprensa do Planalto. Vista vip e rotina mais parada que o usual. Na era Lula, não eram raros os eventos, solenidades, as imagens, as sonoras. A expectativa continua a mesma, mas com menos finais felizes e menos leads. Vemos mais a 'presidenta' pela TV, batendo papo com a Ana Maria ou andando de mãos dadas com a Hebe, do que aqui, em seu nobre palácio. Mas continuamos na eterna expectativa, esperando que alguém apareça diante do nosso púlpito, e nos dê atenção. Para assim dispararmos as boas ou más novas aos ouvintes, telespectadores, leitores, twiteiros, para o mundo. Nesta tarde, só rendeu uma sonora com o presidente mundial da AB InBev - maior produtora de cervejas do mundo. A má notícia é que eles vão investir R$ 2,5 bi no Brasil este ano. Devem gerar milhares de empregos, novas tecnologias e introduzir milhões de pessoas no alcoolismo maldito. Sim, porque nenhuma cerveja é impune, todas são devassas. Vão criar latas de tamanhos e rótulos diferentes. Sabores e texturas. Contribuirão diretamente para o aumento dos acidentes de trânsito nos feriadões. Aguardemos a divulgação do balanço da PRF na Semana Santa. No Carnaval, os resultados já foram devastadores. E ninguém se interessa em aprovar logo o projeto de proibir propaganda de cerveja, que perece no Congresso desde a época da proibição de comerciais de cigarro. A bebida foi retirada do texto estrategicamente. Dá lucro demais para ser considerada vilã. Mudando para um assunto mais sóbrio, Shakira e Obama estão dando o que falar por aqui. Tudo indica que Dilma irá mesmo receber a colombiana amanhã no fim do dia, nada confirmado ainda oficialmente. A pop engajada deve falar sobre a Fundação América Latina Solidária com a presidente. Vamos ver se ela falará com a imprensa no final, antes do seu show. Já o Obama requer mais cuidados. A Praça dos 3 Poderes e o Palácio já estão cercados. Quem quiser ver o presidente, só de longe. Ele deve chegar por volta de 10 da manhã de sábado (19) e ser recebido com as formalidades de praxe. Eu, provavelmente, estarei bem posicionada no chiqueirinho da imprensa oficial, devidamente credenciada. Dali, Obama segue para um almoço no Itamaraty. Mas, lembrem-se: no sábado, a Esplanada vai estar fechada a partir das 8 da manhã. Obama podia, entre outras coisas, acabar logo com a exigência do visto de brasileiros que vão passear nos EUA. Mas vamos aguardar para ver o que o presidente, outrora tão popular, vem nos dizer. Amanhã tem mais plantão aqui, direto da janela do Palácio e da prateada Esplanada. No ritmo estonteante de Estoy Aqui.
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| Nessa época, eu ainda ouvia Shakira |
sexta-feira, 11 de março de 2011
Breaking news
Terremoto e tsunami no Japão, genocídio na Líbia, alertas nos EUA, na França e em outros tantos países. Tudo chacoalhando ao mesmo tempo no noticiário. Ondas assustadoras de catástrofes que inquietam o planeta. O que vem a seguir? Só Deus sabe.
quarta-feira, 2 de março de 2011
O jeito Ronald de voar (2)
Há algum tempo, escrevi aqui sobre o jeito Farias de voar. Tratava-se de um comandante bem-humorado e gentil, que fez a diferença num voo da Tam. E agora, por questão de justiça, registro aqui o jeito Ronald de voar. Desta vez um comissário, o mais hilário que já vi. Com voz de locutor e sambista carioca, ele levou os passageiros ao delírio e recebeu duas salvas de palmas entre Salvador e Brasília. Uma das pérolas foi ter dito que deixava 17 mil beijos no coração dos passageiros. Daí em diante a simpatia conquistou até quem estava dormindo e ele aproveitou para se abrir mais ainda, cantando. Na saída, ainda deu autógrafo, é mole? E já 'estrela' em vários vídeos do youtube. Preciso dizer que esta foi a única qualidade do voo Webjet. Na minha opinião, a pior companhia atualmente, apesar de preços mais acessíveis. E justifico: Atendentes do check in mau-humorados; não se pode escolher a poltrona, pois o 'sistema' sorteia na hora, e normalmente meio. Ah, caso queira escolher, tem que pagar 5,00 na hora da compra do bilhete, como não fui eu que comprei... Outra coisa é o cardápio. Serviço de bordo não existe. Vc paga tudo o que consome, ou, passa fome. Já fui prevenida e levei meu salgadinho, porque me recuso a pagar 12,00 por um sanduíche. Não esqueçam: levem a lancheira para voos Webjet ou paguem até pela água que vão beber. Até a Gol está aderindo ao cardápio, mas pelo menos serve o básico. Mas em caso de emergência e falta de dinheiro no bolso, não se preocupe, eles passam a maquininha do débito. Aff, como diriam minhas irmãs.
Uma chave singular
Dizem que, para entrar em alguns lugares, só com um sorriso sincero. Ele é capaz de abrir portas que nem se imagina. Portas que driblam a arrogância, o mau-humor, a ignorância. Verdadeiras fortalezas que, sem o sorriso, seriam intransponíveis. Ele amolece o coração duro e a ruga mais sisuda na testa. Abre caminhos para o diálogo, a gentileza, a cordialidade, e por que não, ao amor. Além de ser saudável para a alma sorrir e agradecer pelo dia, pela vida, por mais que ela traga seus percalços. Hoje não acordei sorrindo. Não sorri para uma atendente que passou a noite trabalhando numa lanchonete do aeroporto e às 6h da manhã certamente já estava exausta. Tenho a impressão de que se eu sorrisse para ela, esse fim de plantão terminaria mais leve. Preferi guardá-lo comigo. Mas sorriso guardado não surte efeito e não abre portas. É como uma chave perdida, fora do chaveiro. Então digo para mim mesma: sorria, mesmo que pareça difícil. O resultado vale a pena. É singular.
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| Bom dia. E não se esqueça: sorria |
Pelo Pelô
Fiquei devendo a saga do Pelourinho. Quem me conhece deve perguntar o que faço no olho do furacão do Carnaval na Bahia, no meio da batucada, em frente ao palco do Olodum... Cobertura presidencial, respondo. Como assim? Caí de paraquedas numa pousada no centro histórico nervoso de Salvador na semana de Carnaval. O casarão colorido da pousada deve ter uns 400 anos. Pé direito alto, móveis rústicos e muito simples. Nada de luxo, e mesmo assim, hospedagem cobiçadíssima pelos foliões, que não veem a hora de liberarmos os quartos. Não seja por isso, às 5h da manhã partirei, e é capaz das ruas ainda estarem cheias. Cheias de gringos de toda parte. E brasileiros, muitos, que não se cansam dessa vida. O fascínio que a festa da carne provoca no mundo é impressionante. Mas depois chega a quarta-feira e tudo é cinza. Eu sei que vou pular de alegria quando chegar na minha cama e no meu sossego. Já andei o suficiente pelo Pelô. Agora deixo a banda passar, com uma ressalva: as vielas do Pelourinho são estreitas, mas o caminho da perdição é largo, muito largo. Pense nisso!
terça-feira, 1 de março de 2011
A saga do Projac
Neste momento está sendo exibido o programa Mais Você com a presidente Dilma Rousseff, gravado ontem (28). Não dá para ver (risos), mas eu estava lá. Sim, estava lá na recepção do Projac com mais meia dúzia de colegas da Folha, Estadão, da própria Globo, CBN... Todos à espera da presidente, já cientes que nem a veríamos, a não ser hoje, no ar. Mas uma coisa que aprendi nesta cobertura presidencial é que não importa onde, quando e o quê, precisamos estar por perto. Ossos do ofício. Afinal, é a principal mandatária do país. Ela chegou às 11h20, pontualmente atrasada em meia hora. Pudera, o tempo estava muito nublado e o deslocamento foi de helicóptero. O mais próximo que ficamos dela foi quando ouvimos o barulho das hélices durante o pouso, acusando sua chegada. A partir daí, foi uma jornada de quase cinco horas sentados nas poucas poltronas da recepção, cercados de artistas por todos os lados. Bruno Gagliasso, Suzana Vieira e Caio Castro foram alguns dos que passaram por lá. Mas ninguém era celebridade para nós a não ser Dilma Rousseff. E a gravação se prolongava e entrava pela hora do almoço. Enquanto elas tomavam o café da manhã no bate-papo do programa, a nossa fome aumentava. Mas um Bob's que ficava pertinho dali foi a salvação. Pedimos para um colega buscar alguns lanches e seguimos esperando. De dez em dez minutos ligávamos para assessores em busca de notícia, afinal, já estava dando 3 da tarde e nada da presidente sair. Ela estava num almoço oferecido pela Ana Maria. Foi quando saiu do Projac o grupo de repórteres da Contigo e afins que haviam entrado para acompanhar a gravação de um novo seriado global, acho que se chama Tapas e Beijos. Lá, participaram de um coquetel e tiveram que compartilhar a comidinha com os jornalistas famintos. Os bem-casados que eles trouxeram de lembrança foram rapidamente devorados por quem estava fora. Percebe-se que foram mais bem tratados que nós nessa cobertura. Bem, por volta das 16h a hélice acusava novamente que Dilma havia partido. E nós estávamos liberados. Esta foi a saga do Projac, a chamada fábrica de sonhos da Globo, onde não é permitido tirar uma foto do lado de dentro e nem fazer um tour despretensioso com o carrinho elétrico. Enfim, este foi um pouquinho da minha rotina nesta segunda-feira. Mas estava só no início. Depois conto a saga do Pelourinho, onde cheguei só depois da meia-noite, depois que saí do Projac. Daqui a pouco a presidente estará aqui em Salvador. Desta vez, espero que renda matéria.
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| TV GLOBO / Renato Rocha Miranda |
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